15/09/2026

Rio: Colégio Tamandaré vive clima de apreensão após caso de lancetas compartilhadas

Rio: Colégio Tamandaré vive clima de apreensão após caso de lancetas compartilhadas
Marina Calderon

A volta às aulas no Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, foi marcada por medo e incerteza nesta segunda-feira. O clima de apreensão surgiu dois dias após um incidente grave, onde um estudante utilizou a mesma lanceta — um dispositivo médico com agulha ultrafina — para coletar sangue de diversos colegas durante uma feira de ciências na instituição.

Na saída da escola, por volta das 12h30, pais e alunos relataram a presença de agentes da Polícia Civil, da Vigilância Sanitária e de representantes da Secretaria Municipal de Saúde dentro da unidade. As equipes conversaram com algumas turmas e orientaram os alunos sobre o episódio, que gerou grande preocupação e dúvidas sobre os riscos de exposição ao sangue.

Ação das autoridades e impacto nos alunos

Segundo relatos de estudantes, as equipes de saúde e segurança passaram por diversas salas de aula para dialogar com os alunos, buscando esclarecer a situação e oferecer suporte. No entanto, muitos deixaram a escola assustados, com questionamentos sobre as potenciais consequências do uso compartilhado das lancetas. Uma aluna do 6º ano, que participou da feira de ciências mas não teve o sangue coletado, mencionou que a comunicação da direção da escola deu a entender que a situação já estava resolvida, o que contrastava com o sentimento de insegurança dos estudantes.

Apesar das orientações, o impacto emocional foi significativo. Uma mãe relatou que seu filho de 12 anos, um dos perfurados durante a atividade, não conseguiu retornar às aulas devido ao abalo psicológico. A preocupação dos responsáveis se intensificou ao longo da manhã, com muitos buscando informações sobre as medidas adotadas tanto pela escola quanto pelas autoridades de saúde para garantir a segurança e o bem-estar dos alunos envolvidos.

Preocupação se estende a professores e monitoramento de saúde

O clima de insegurança se espalhou ainda mais entre as crianças e os pais ao se descobrir que a demonstração na feira de ciências não envolveu apenas estudantes. Um dos pais relatou que até mesmo professores aceitaram ter o sangue coletado com as lancetas, acreditando que o procedimento era seguro e aprovado, já que nenhuma objeção havia sido feita. "As crianças estavam perguntando se isso era algum tipo de surto", afirmou o pai, destacando o desespero e a confusão gerados pelo incidente.

Diante da gravidade do ocorrido, as mais de 20 pessoas que tiveram o sangue coletado com as mesmas lancetas serão acompanhadas de perto pelas autoridades de saúde. O monitoramento de saúde será realizado por pelo menos 90 dias, com análises para avaliar a necessidade de profilaxia pós-exposição contra doenças como Aids, hepatites B e C, e sífilis. A medida visa mitigar os riscos e garantir a saúde dos envolvidos, reforçando a seriedade do caso que mobiliza a atenção em todo o Norte Fluminense e na Região dos Lagos.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.

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