20/09/2026

Mensagens do Banco Master associam advogada que recebeu R$ 33 milhões a Gilmar Mendes

Foto: Victor Piemonte/STF

Mensagens atribuídas a executivos do Banco Master e extraídas do celular de Daniel Vorcaro colocaram no centro do caso a advogada Dalide Corrêa. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo e reproduzidas neste sábado (19), ela teria recebido R$ 33 milhões do banco em 2024 e foi chamada em uma das conversas de “sócia” do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

A afirmação, porém, é contestada diretamente pelos envolvidos. Gilmar Mendes e Dalide Corrêa negam qualquer sociedade, enquanto o gabinete do ministro afirma que a associação feita por executivos do Banco Master é falsa.

Mensagens cobravam pagamentos à advogada

Em uma conversa de dezembro de 2024, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, teria pressionado Vorcaro pela autorização de um pagamento destinado a Dalide Corrêa. Na mensagem, segundo O Globo, Rennó mencionou precatórios e afirmou que a advogada seria “sócia” de Gilmar Mendes.

Meses antes, em agosto de 2024, Rennó também teria pedido prioridade para uma operação de R$ 15 milhões destinada à advogada. Segundo as mensagens divulgadas, o pagamento estaria relacionado a uma vitória em um caso envolvendo a Catende.

Outra conversa, atribuída ao diretor financeiro do banco, Ângelo Ribeiro, teria orientado o superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix, a realizar o pagamento ao escritório de Dalide. Na mensagem, o executivo teria classificado a operação como um “canal direto com o STF”.

A informação sobre os R$ 33 milhões aparece no contexto das apurações envolvendo o Banco Master e o conteúdo extraído do celular de Vorcaro. A reportagem, contudo, não estabelece que o dinheiro tenha sido destinado ao ministro Gilmar Mendes.

Ministro nega sociedade

O gabinete de Gilmar Mendes negou que o ministro tenha sido sócio de Dalide Corrêa. Segundo a manifestação divulgada, a advogada exerceu uma função técnica no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição fundada por Gilmar e atualmente administrada por um de seus filhos.

A defesa do ministro afirma que Dalide nunca foi sócia do IDP e que deixou a instituição em novembro de 2016.

O gabinete também declarou que Gilmar Mendes não teve sociedade com a advogada em nenhuma empresa e que não tinha conhecimento de atuação dela em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro.

Ainda segundo a manifestação, o ministro teria votado contra o pagamento em todos os processos do setor mencionados no esclarecimento.

O que as mensagens mostram — e o que ainda não provam

O conteúdo divulgado coloca lado a lado três elementos: pagamentos milionários feitos pelo Banco Master ao escritório da advogada, mensagens de executivos tratando esses pagamentos como prioridade e a referência, feita por um deles, a uma suposta sociedade com Gilmar Mendes.

Isso, por si só, não comprova a existência da sociedade mencionada nas mensagens nem demonstra que o ministro tenha recebido os valores.

A confirmação ou não das relações descritas nas conversas depende da apuração das autoridades e da análise integral do material apreendido.

O episódio ocorre enquanto o STF acompanha diferentes desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master. Em decisão registrada pelo próprio tribunal, o ministro Flávio Dino pediu vista durante a discussão sobre a tramitação conjunta de processos relacionados ao caso.

O acesso de diferentes ministros ao conteúdo do celular de Vorcaro também ganhou relevância nos últimos dias. A Polícia Federal informou oficialmente que as cópias entregues aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes são idênticas à extração realizada no aparelho, enquanto o material original permanece sob custódia da instituição.

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