Susy Aponte Polo foi atacada em um mercado de Caraz, no Peru; três pessoas foram detidas e a investigação apura suspeita de homicídio por encomenda
O assassinato da jornalista e candidata ao Governo Regional
de Áncash, Susy Aponte Polo, conhecida como “China Polo”, chocou o Peru e
colocou novamente em evidência a violência contra profissionais da comunicação
e candidatos durante o processo eleitoral.
A comunicadora foi morta a tiros no sábado (19), enquanto
participava de uma atividade de campanha em um mercado de Caraz, na província
de Huaylas, região de Áncash. O ataque ocorreu em meio a simpatizantes e
integrantes de sua campanha. Outras pessoas também foram atingidas pelos
disparos.
Susy concorria ao Governo Regional de Áncash pelo movimento
Socios por Áncash. Além da atividade política, mantinha o programa e canal
digital “China Polo Dominical”, no qual divulgava denúncias e investigações
relacionadas a supostas irregularidades, corrupção e criminalidade na região.
Três pessoas são detidas após o assassinato
As investigações avançaram nas horas seguintes ao crime.
Segundo o Ministério Público peruano, três pessoas foram detidas por suposta
participação no assassinato. Entre elas estaria o homem apontado como possível
autor material dos disparos, além de uma pessoa investigada como possível
financiador e outra que teria transportado o executor.
As autoridades, no entanto, ainda trabalham para esclarecer
quem teria ordenado o ataque e qual foi a motivação do crime. O próprio
Ministério Público informou que existem hipóteses sendo investigadas e que
novas prisões poderão ocorrer caso os elementos reunidos confirmem a
participação de outros envolvidos.
O Ministério do Interior determinou que o comandante-geral
da Polícia Nacional do Peru, Fredy López Mendoza, assumisse a coordenação das
investigações em Caraz. Ele atua em conjunto com a Direção Nacional de
Investigação Criminal e equipes especializadas da Dirincri, em articulação com
o Ministério Público.
“China Polo” havia denunciado ameaças antes de morrer
Um dos pontos que passou a integrar as investigações é que
Susy Aponte havia denunciado publicamente ameaças contra sua vida poucos dias
antes do assassinato.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a jornalista afirmou
ter recebido ligações telefônicas provenientes de estabelecimentos
penitenciários e relatou ter sido alertada sobre um possível atentado. Ela
chegou a mencionar o nome do general da Polícia Nacional Víctor Revoredo Farfán
ao relatar as ameaças. Essas declarações são objeto de investigação e, até o
momento, não estabelecem por si só a autoria ou a motivação do assassinato.
O Conselho da Imprensa Peruana pediu uma investigação
profunda para esclarecer o crime e determinar as responsabilidades. A entidade
destacou a necessidade de identificar tanto os responsáveis pela execução
quanto eventuais responsáveis pela organização do ataque.
Investigação acontece em meio à corrida eleitoral
O assassinato ocorreu durante o processo eleitoral peruano
de 2026. Susy Aponte disputava o Governo Regional de Áncash e realizava
atividades de campanha quando foi atacada.
A investigação agora busca reconstruir toda a sequência do
crime, identificar os envolvidos e esclarecer se o assassinato esteve
relacionado à atuação jornalística da comunicadora, à sua candidatura ou a
outros fatores. Até que as autoridades concluam as apurações, essas
possibilidades permanecem sob investigação.
Enquanto isso, familiares, colegas e seguidores começaram a
prestar as últimas homenagens à jornalista. Os restos mortais de Susy Aponte
chegaram a Lima nesta segunda-feira (21), onde ocorre o velório.

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