
Os Estados Unidos registraram o verão mais quente de sua história, desde o início das medições em 1865. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) divulgou nesta quarta-feira, 9, que a estação, entre os meses de junho e agosto, alcançou uma temperatura média de 23,6ºC, superando em 0,2ºC os recordes prévios de 2021 e 1936. Os dados não incluem os territórios do Havaí e do Alasca.
Essa marca histórica se insere em uma preocupante tendência: quatro dos cinco verões mais quentes já documentados no país ocorreram nos últimos cinco anos, com 2022 e 2024 figurando entre eles. A elevação das temperaturas é atribuída diretamente às mudanças climáticas, impulsionadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas.
Impacto das mudanças climáticas e previsões
Cientistas climáticos alertam que o planeta continua a aquecer, exatamente como previsto há décadas. Andrew Dessler, cientista climático da Universidade do Texas A&M, ressaltou à agência AFP a necessidade de reconhecer essa realidade. “Já é hora de parar de agirmos surpresos de que nosso planeta em aquecimento segue esquentando”, afirmou Dessler, destacando a precisão das projeções científicas.
O recorde atual ocorre em meio ao fenômeno “El Niño”, que pode se tornar o mais intenso em décadas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência climática das Nações Unidas, já havia alertado sobre a intensificação do El Niño e seus potenciais impactos. “O El Niño está claramente estabelecido e vai se intensificar até se tornar um fenômeno muito forte nos próximos meses, com grandes impactos nos padrões de precipitação e temperatura, além de riscos associados a inundações, secas e calor extremo”, declarou a OMM.
El Niño e a escalada das temperaturas globais
A expectativa é que o El Niño continue a desencadear eventos meteorológicos extremos em todo o mundo. Embora se preveja que o fenômeno provoque temperaturas recordes em 2027, ele também pode contribuir para que 2026 seja o ano mais quente já registrado, superando 2024. Essa projeção reforça a urgência de ações para mitigar os efeitos do aquecimento global.
A agência climática americana já havia anunciado que julho de 2026 foi o mês mais quente desde o começo dos registros. A tendência de alta persistiu no mês seguinte, com agosto sendo considerado o mais quente desde 1895, atingindo temperaturas médias de 24,2ºC. Esses dados consolidam um cenário de aquecimento contínuo e acelerado.
O Rio das Ostras Jornal segue acompanhando os desdobramentos das mudanças climáticas e seus impactos globais e regionais. Para mais informações sobre o fenômeno El Niño, clique aqui.
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