11/09/2026

Al-qaeda: a persistência do terrorismo global após o 11 de setembro

Al-qaeda: a persistência do terrorismo global após o 11 de setembro
Reprodução / cnnbrasil.com.br

Vinte e cinco anos após os ataques de 11 de setembro, que chocaram o mundo com a derrubada das Torres Gêmeas em Nova York e o impacto no Pentágono, a Al-Qaeda, fundada por Osama bin Laden, mantém-se como uma força de inspiração e apoio para militantes em diversas regiões, especialmente na África. A notícia ressoa em cidades como Rio das Ostras e Macaé, na Região dos Lagos, reforçando a importância de compreender o cenário global.

Apesar da morte de Bin Laden em 2011 e do surgimento do Estado Islâmico como rival, a organização jihadista transnacional demonstrou resiliência, adaptando suas táticas e expandindo sua rede de afiliados, perpetuando a ameaça do terrorismo internacional e exigindo vigilância constante em todo o Norte Fluminense e no Brasil.

Origens e Ideologia da Al-Qaeda

A Al-Qaeda emergiu como uma rede jihadista transnacional no final da década de 1980, sob a liderança de Osama bin Laden. Nascido na Arábia Saudita, Bin Laden foi fundamental no recrutamento e canalização de apoio para voluntários árabes que combatiam a invasão soviética do Afeganistão, iniciada em 1979, onde ele próprio também lutou.

O grupo rapidamente se tornou um ponto de convergência para militantes que aspiravam estabelecer um regime islâmico radical. Eles compartilhavam uma hostilidade comum aos Estados Unidos, a Israel e aos governos aliados de Washington na região. A cidadania saudita de Bin Laden foi cassada em 1994, e ele foi expulso do Sudão em 1996, encontrando refúgio no Afeganistão.

Os ataques contra interesses dos EUA começaram antes mesmo de sua chegada ao Afeganistão. O primeiro reconhecido foi um atentado da Al-Qaeda em 1992 contra dois hotéis no Iêmen, visando tropas americanas. No Afeganistão, Bin Laden estabeleceu campos de treinamento e uma brigada de elite de combatentes estrangeiros.

Em 1996, ele declarou jihad contra as forças americanas, descrevendo-as como ocupantes da Arábia Saudita. Dois anos depois, em 1998, foi anunciada uma “Frente Islâmica Mundial” para a jihad contra “judeus e cruzados”, declarando ser dever dos muçulmanos matar americanos e seus aliados, civis ou militares. Atentados com caminhões-bomba contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia naquele ano mataram 224 pessoas.

Os ataques de 11 de setembro de 2001 foram executados por 19 sequestradores, a maioria da Arábia Saudita. Eles sequestraram quatro aviões, resultando na morte de quase 3.000 pessoas, com um dos aviões caindo em um campo na Pensilvânia após a intervenção dos passageiros.

Liderança e Reveses: A Queda de Bin Laden e Zawahri

Em resposta aos ataques, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão em outubro de 2001, derrubando o Talibã e expulsando a Al-Qaeda de suas bases de operação. Em dezembro de 2001, forças anti-Talibã invadiram a base da Al-Qaeda nas montanhas de Tora Bora, mas Bin Laden conseguiu evitar a captura por uma década.

Ele continuou a divulgar mensagens periodicamente até ser morto por forças especiais americanas em uma operação em seu complexo em Abbottabad, no Paquistão, em 2011. O autoproclamado mentor dos ataques de 11 de setembro, Khalid Sheikh Mohammed, foi capturado no Paquistão em 2003 e, em 2007, afirmou ter planejado o ataque “do início ao fim”.

Após duas décadas de impasse jurídico, um juiz ordenou que Mohammed e outros três réus sejam julgados por um tribunal militar em junho de 2028, na Baía de Guantánamo, Cuba. O sucessor de Bin Laden, Ayman al-Zawahri, foi morto por um ataque de drone dos EUA em Cabul, em 2022. Atualmente, acredita-se que o militante egípcio Seif al-Adel seja o líder de facto da Al-Qaeda.

A Expansão Global da Rede Terrorista

Enquanto os líderes da Al-Qaeda se dispersavam, militantes ligados ou inspirados por sua ideologia realizaram inúmeros ataques em todo o mundo. Entre os mais mortais, destacam-se o atentado de 2002 a uma zona de discotecas em Bali, que matou 202 pessoas, os atentados a bomba que vitimaram mais de 190 pessoas em comboios em Madrid, em 2004, e os atentados suicidas que mataram 52 pessoas em comboios do metrô e em um ônibus em Londres, em 2005.

Grupos afiliados à Al-Qaeda surgiram no Oriente Médio e em outras regiões. Um dos mais poderosos atuou no Iraque, onde a Al-Qaeda combateu as forças lideradas pelos EUA após a invasão de 2003. Ramos da organização apareceram no Norte da África em 2007 e na Península Arábica em 2009. Após 2011, a Frente Nusra, ligada à Al-Qaeda, tornou-se uma força significativa na guerra civil da Síria.

Na África, os afiliados da Al-Qaeda incluem o Al Shabaab na Somália e o JNIM (Jama’at Nusrat al‑Islam w al‑Muslimin) na região do Sahel. A Al-Qaeda também mantém laços com o TTP (Tehrik-e Taliban Paquistão), conhecido como Talibã Paquistanês, que lidera uma insurreição contra Islamabad. Antonio Giustozzi, pesquisador sênior do think tank RUSI, em Londres, observa que, apesar das perdas, a visibilidade e a expansão da Al-Qaeda aumentaram enormemente após a invasão do Afeganistão, atingindo seu auge por volta de 2013.

Rivalidade com o Estado Islâmico e Desafios Atuais

A ascensão do Estado Islâmico (EI) representou um novo desafio para a Al-Qaeda. O fundador do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, separou-se da Al-Qaeda e declarou um “califado” em grande parte da Síria e do Iraque em 2014, desencadeando um conflito direto com a Frente Nusra, então afiliada à Al-Qaeda.

Embora o Estado Islâmico tenha sido eventualmente expulso de seu território na Síria e no Iraque, sua rivalidade com a Al-Qaeda persiste, especialmente na África Ocidental, onde afiliados dos dois grupos frequentemente se confrontam, disputando território e influência. Outro revés para a Al-Qaeda ocorreu em 2016, quando a Frente Nusra se separou, com seu líder, Ahmed al-Sharaa, buscando uma nova identidade para o grupo.

Apesar desses desafios e da fragmentação, a Al-Qaeda continua a ser uma ameaça global, adaptando-se e inspirando novas gerações de militantes. A complexidade do cenário de segurança internacional exige atenção contínua de autoridades e da sociedade, inclusive em regiões como a Costa do Sol e o interior do RJ.

O Rio das Ostras Jornal acompanha de perto os desdobramentos do cenário geopolítico global.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!