11/08/2026

Rio de Janeiro registra quatro mortes por febre maculosa em 2026

Rio de Janeiro registra quatro mortes por febre maculosa em 2026
Ciclo da febre maculosa envolve carrapatos e capivara Amanda Paes/G1

O estado do Rio de Janeiro contabiliza quatro mortes e 14 casos confirmados de febre maculosa em 2026, conforme dados levantados até 9 de agosto pela Secretaria de Estado de Saúde (SEAS-RJ). A doença, transmitida por carrapatos, tem preocupado as autoridades de saúde, especialmente nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, áreas de grande incidência.

O caso mais recente de óbito foi o do veterinário Gabriel Serra, de 30 anos, em São Fidélis, no Norte Fluminense. Outras duas mortes ocorreram em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, e uma em Campos dos Goytacazes, também no Norte Fluminense, reforçando a concentração da doença nessas áreas da Região dos Lagos e Norte Fluminense.

Cenário da Febre Maculosa no Estado do Rio

Apesar dos números de 2026, o estado do Rio de Janeiro observou uma queda nos casos confirmados nos últimos dois anos. Em 2024, foram registrados 46 casos e 19 óbitos, enquanto em 2025, os números caíram para 33 casos e 14 mortes. Contudo, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta para a alta taxa de letalidade, que neste ano de 2026, com base nos 14 casos notificados até 10 de agosto, é de 28%.

Historicamente, a febre maculosa apresenta um alto índice de fatalidade no Rio de Janeiro. Em 2014, a letalidade atingiu 67%, caindo para 60% em 2022 e 43% em 2025. O Ministério da Saúde, em um levantamento mais amplo, confirma 3.055 casos da doença em todo o Brasil entre 2014 e 2026. A Fiocruz destaca que a maior incidência da doença no estado ocorre entre os meses de julho e novembro, com cidades como Campos, Italva, Itaperuna, Macaé e Porciúncula sendo as mais afetadas.

Entenda a Doença e Seus Sintomas

A febre maculosa é uma doença infecciosa séria, causada por bactérias do gênero Rickettsia. No Brasil, duas espécies são associadas à doença e transmitidas por carrapatos infectados: a Rickettsia rickettsii, mais comum na região Sudeste e no norte do Paraná, e a Rickettsia sp. cepa Mata Atlântica, encontrada em áreas silvestres e com sintomas geralmente mais leves. A transmissão para humanos ocorre pela picada de carrapatos que carregam a bactéria, e esses parasitas podem permanecer infectados por até 36 meses.

Os sintomas iniciais da febre maculosa são frequentemente confundidos com os de outras doenças comuns, como gripe ou dengue, incluindo febre, dor de cabeça intensa e dores no corpo. A partir do terceiro dia, manchas avermelhadas podem começar a surgir na pele, principalmente nas palmas das mãos e solas dos pés. No entanto, o quadro clínico pode piorar drasticamente após o quinto dia, tornando-se irreversível sem tratamento adequado, que geralmente envolve medicação intravenosa.

A pesquisadora Elba Lemos, da Fiocruz, ressalta que as mortes por febre maculosa são, em grande parte, resultado da falta ou do atraso no diagnóstico. Ela enfatiza a importância de os profissionais de saúde, especialmente nas regiões de maior risco, estarem vigilantes e iniciarem o tratamento imediatamente, mesmo antes da confirmação laboratorial. A agilidade no diagnóstico e tratamento é crucial para evitar complicações graves e óbitos, especialmente entre populações de menor poder aquisitivo que podem ter dificuldade em retornar para consultas de acompanhamento.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e reforça a importância da prevenção e do conhecimento sobre a febre maculosa para a saúde pública da Região dos Lagos e Norte Fluminense. Para mais informações sobre a doença, consulte o site da Fiocruz.

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