
A Polícia Federal (PF) avalia que a lobista Roberta Luchsinger, figura central em investigações de grande repercussão nacional, planejava abrir uma conta bancária fora do Brasil. A informação, revelada pela revista Veja, adiciona um novo capítulo aos inquéritos que envolvem a lobista e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Roberta Luchsinger e Lulinha são alvos de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas que abrangem tráfico de influência, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações da PF, que ganham destaque em todo o Norte Fluminense e Região dos Lagos, apontam para um esquema complexo de movimentação financeira e blindagem de bens.
Plano de Abertura de Empresa em Liechtenstein
Mensagens encontradas no celular de Roberta Luchsinger, datadas de 4 de fevereiro de 2024, indicam que ela teria orientado Gustavo Gaspar, também investigado no mesmo inquérito, a estabelecer uma empresa no principado de Liechtenstein. Esta região, outrora considerada um paraíso fiscal, atualmente participa de tratados de cooperação internacional que permitem o confisco de valores por autoridades de investigação.
O relatório da PF, divulgado pela Veja, expressa “estranheza” diante do interesse em abrir uma conta bancária e uma empresa em Liechtenstein. O documento ressalta que Roberta buscava um local onde, segundo ela mesma, seria “impossível prender dinheiro”, levantando a suspeita de que o objetivo seria blindar valores obtidos de forma ilícita.
A justificativa para a escolha de Liechtenstein teria vindo do ex-marido de Roberta, o ex-delegado da PF Protógenes Queiroz, que reside na Suíça. Ele teria informado à lobista que recursos guardados em bancos do principado seriam “impossíveis de prender”. Protógenes Queiroz foi condenado pelo STF por violar o sigilo funcional em investigações da Operação Satiagraha.
Suspeitas de Dinheiro em Espécie e Movimentações
As investigações da Polícia Federal também revelam um padrão da lobista em manusear grandes quantias de dinheiro em espécie. Em março de 2023, o motorista particular de Roberta Luchsinger relatou a ela a contagem de uma mala que continha 500 mil em um compartimento e 90 mil em outro, sem identificação da moeda nos registros. A lobista então instruiu o funcionário a entregar 193 mil em dinheiro ao empresário Fernando Bittar.
Fernando Bittar é apontado como suspeito de traficar influência na administração pública, em uma sociedade oculta com Roberta e Lulinha. Em maio do mesmo ano, Roberta teria solicitado ao motorista que fizesse um depósito, indicando uma caixa com “bolinhos” de 10 mil cada, também sem especificação da moeda, guardada atrás de uma bolsa de grife em seu armário.
O Outro Lado e as Defesas dos Envolvidos
A defesa de Lulinha, representada pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, criticou o que classificou como “vazamento criminoso” das investigações. Segundo Carvalho, há um objetivo de influenciar o processo eleitoral através do filho do presidente, sem que existam provas que o incriminem. O advogado ainda fez comparações com investigações envolvendo Flávio Bolsonaro.
Por meio de seu advogado, Roberto Podval, Roberta Luchsinger afirmou que responderá a todas as questões nos autos do inquérito. Já a defesa de Gustavo Gaspar declarou que não se manifestará enquanto não tiver acesso completo aos autos do processo.
O Rio das Ostras Jornal tentou entrar em contato com Protógenes Queiroz e a defesa de Fernando Bittar para obter seus posicionamentos, mas não obteve sucesso. O portal seguirá buscando contato e atualizará a matéria caso haja manifestações.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso de perto, trazendo as últimas atualizações sobre as investigações que impactam a política nacional e geram discussões em Rio das Ostras, Macaé e toda a Costa do Sol.
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