
O volume de leite humano coletado no estado do Rio de Janeiro registrou um aumento de 11% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar do crescimento, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta que a quantidade ainda é insuficiente para atender a todos os bebês que necessitam, especialmente em UTIs neonatais na Região dos Lagos e Norte Fluminense.
Dados da Fiocruz revelam que foram arrecadados 470 litros a mais de leite materno entre janeiro e junho deste ano, mesmo com uma leve redução no número de doadoras. Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), explica que a produção de leite é individual e influenciada por fatores psicológicos, fisiológicos e estímulos externos. Para suprir a demanda atual, seria necessário um aumento de pelo menos 20% na coleta.
A urgência de expandir a rede de doação no RJ
Atualmente, o estado do Rio de Janeiro conta com 18 Bancos de Leite Humano. No entanto, a Fiocruz destaca que regiões como a Baía de Ilha Grande, a Região Norte e a própria Região dos Lagos, que possuem UTIs neonatais, ainda não dispõem dessas unidades essenciais. A especialista Danielle Aparecida da Silva ressalta a importância de investir na criação de novos bancos de leite nessas áreas para garantir o acesso ao leite humano pasteurizado para todos os recém-nascidos que precisam.
A campanha Agosto Dourado, celebrada neste mês, reforça a importância da amamentação e da doação de leite materno. A iniciativa busca conscientizar a população sobre os benefícios do leite humano, considerado o alimento mais completo para os bebês, especialmente para aqueles em situação de vulnerabilidade ou prematuridade. Mais informações sobre a doação podem ser encontradas na Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fiocruz.
O impacto da doação na vida de famílias da Costa do Sol
A importância do leite humano doado é sentida diretamente por famílias como a da designer Damires Teixeira Pontes, de 37 anos, moradora de Pilares, na Zona Norte do Rio. Mãe de gêmeos que nasceram prematuros, com 34 semanas, ela precisou recorrer a um Banco de Leite Humano quando seus filhos ainda não conseguiam sugar.
“Meus bebês precisaram receber leite do banco por conta da prematuridade. Eles nasceram com 34 semanas, ainda não sabiam sugar e precisaram receber o leite do banco”, relata Damires. Após uma cesárea de emergência, ela não havia produzido leite suficiente, e o apoio do banco foi um alívio. “Foi essencial na vida dos meus filhos, representou a sobrevivência deles”, afirma. A experiência a inspirou a se tornar doadora assim que possível, contribuindo com esse trabalho que “atende e atinge tantas pessoas”.
Na Tijuca, também na Zona Norte, a engenheira civil Débora Cristina, de 35 anos, se tornou doadora ao perceber que produzia um excedente de leite que acabava descartando. “Eu decidi começar a doar porque, no início, eu até comecei a armazenar o leite para poder usar com o meu bebê, mas acabava que eu descartava, que eu estava o tempo todo com ele e então comecei a jogar muito leite fora com a dor no coração”, conta.
Ao descobrir a possibilidade de ajudar outros bebês, Débora não hesitou. “Sabendo dessa doação, eu falei assim: ‘Ah, eu preciso ajudar, assim, não posso continuar jogando fora quando tem tantos bebês necessitando’”. A primeira doação trouxe uma sensação de felicidade e propósito. “Fico muito feliz de poder doar. Acho tão importante, tanto que eu conto todos os dias para o Dante”, diz, referindo-se ao seu filho.
Um receio comum entre as lactantes é que a doação possa prejudicar a alimentação do próprio bebê. Rozania Bicego Xavier, gestora do ambulatório de Pré-Natal e do Comitê de Aleitamento Humano do IFF/Fiocruz, esclarece que a doação é feita apenas quando a mulher está saudável, produz leite além das necessidades do próprio filho e já garantiu que ele esteja plenamente atendido. “A prioridade é sempre o bebê da doadora”, enfatiza. A produção de leite funciona por oferta e demanda, e a retirada do excedente estimula a continuidade da produção, sem prejuízo para o bebê da doadora.
O Rio das Ostras Jornal acompanha as iniciativas de saúde na Região dos Lagos e em todo o Interior do RJ.
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