
Em Rio das Ostras e em todo o Norte Fluminense, o crescente universo dos esportes eletrônicos (eSports) atrai milhares de jovens, mas um alerta de saúde surge para os jogadores profissionais. Apesar de não exigirem o mesmo esforço físico dos esportes tradicionais, pro-players enfrentam uma alta incidência de lesões e problemas de saúde, conforme revelam estudos recentes.
Esses problemas, que vão desde a fadiga ocular até dores crônicas no pescoço, costas, punhos e mãos, são resultado de rotinas exaustivas, movimentos rápidos e repetitivos, e longas horas de exposição a telas. A discussão sobre a saúde desses competidores ganha destaque, especialmente na Região dos Lagos, onde o interesse por eSports é crescente.
Principais lesões que afetam jogadores de eSports
Especialistas da área, como a Dra. Konidis, fisiatra e diretora de Medicina para Jogos Eletrônicos e E-sports na Mayo Clinic, identificam lesões específicas que se tornaram comuns entre os competidores. A natureza da atividade, que exige concentração intensa e movimentos precisos, contribui para o surgimento desses males.
Fadiga ocular: um problema constante
A fadiga ocular é a condição mais relatada. O cansaço visual é provocado pelo esforço excessivo e prolongado da visão, fixada em telas por longos períodos. Os sintomas incluem visão turva, ardência e dor nos olhos, dores de cabeça e sensação de peso nas pálpebras, afetando a performance e o bem-estar dos jogadores.
Dores no pescoço e nas costas: impacto da má postura
Outro problema frequente é a dor no pescoço e nas costas, frequentemente associada a doenças causadas pela má postura. Embora ainda se avalie se as taxas entre pro-players superam as da população geral sedentária, a Dra. Konidis ressalta que esses males já são uma preocupação real no cenário competitivo.
Lesões musculoesqueléticas: punhos e mãos em risco
As lesões musculoesqueléticas atingem principalmente punhos e mãos, causando dor e desconforto. Com o tempo, essa sobrecarga pode evoluir para condições mais sérias, como a síndrome do túnel do carpo ou a tendinopatia do extensor comum, conhecida como cotovelo de tenista, impactando a carreira dos atletas.
Estudos revelam a dimensão das lesões entre pro-players
A frequência dessas lesões tem sido objeto de diversos estudos. Uma pesquisa publicada na BMJ Open Sport & Exercise Medicine, que analisou 65 jogadores nos EUA, revelou que 56% deles sofriam de fadiga ocular, 42% de dores no pescoço e costas, 36% de dores no pulso e 32% nas mãos. Preocupantemente, apenas 2% buscaram ajuda médica para esses problemas.
No Brasil, um estudo publicado na Scientific Reports, do grupo Nature, investigou 365 jogadores brasileiros. Os resultados indicaram 28,49% de lesões no pulso, 20% nas costas, 18,35% nas mãos e 15,89% nos dedos. O dado mais alarmante é que 30,96% dos participantes relataram algum tipo de lesão nos últimos 12 meses, evidenciando a necessidade de maior atenção à saúde dos pro-players em todo o país, incluindo cidades como Macaé e Rio das Ostras.
Causas por trás da sobrecarga física
Ambos os estudos convergem nas causas dessas lesões. Os movimentos rápidos e repetitivos, que podem chegar a 500 ou 600 por minuto, combinados com volumes de treino de 5 a 10 horas diárias, sobrecarregam punhos e mãos. A postura estática e incorreta, mantida por longos períodos sentados, é a causa direta de dores na coluna e no pescoço.
A fadiga ocular, por sua vez, está diretamente ligada à exposição prolongada a telas de LED. Esses dispositivos emitem um pico de luz azul (400–490 nm), que pode causar danos aos fotorreceptores e fadiga visual em exposições prolongadas, um risco constante para quem atua no cenário competitivo da Costa do Sol.
Medidas e desafios na prevenção de lesões
A conscientização sobre a saúde dos jogadores de eSports tem crescido, e as organizações do setor começaram a integrar profissionais de saúde em suas equipes. Desde 2020, nomes como Vitor Kenji foram pioneiros ao atuar como fisioterapeutas em times como LOUD, Prodigy e Team Liquid, uma tendência que se espalhou por outras equipes, como a W7M Gaming.
No entanto, a jornada de treinos exaustiva, hábitos sedentários e a privação de sono ainda persistem como desafios significativos para os profissionais. A Mayo Clinic, em uma análise mais recente, aponta que, apesar dos avanços, as lesões continuam recorrentes. Problemas como privação de sono e riscos metabólicos e cardiovasculares, embora menos frequentes, ainda são comuns, reforçando a urgência de um cuidado integral com a saúde dos jogadores no interior do RJ.
O Rio das Ostras Jornal acompanha as discussões sobre a saúde e o bem-estar no crescente universo dos eSports.
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