22/07/2026

Trabalho análogo à escravidão: homem dormia com porcos e comia uma vez ao dia em fazenda

Trabalho análogo à escravidão: homem dormia com porcos e comia uma vez ao dia em fazenda
Imagem gerada com IA

Um trabalhador rural de 65 anos foi resgatado em condições análogas à escravidão em uma fazenda isolada no município de Altamira, no sudoeste do Pará, em uma operação recente. O homem vivia em extrema vulnerabilidade, dormindo com animais e com alimentação precária, em um cenário de total desrespeito aos direitos humanos e trabalhistas.

A ação de fiscalização trabalhista, que contou com o apoio de um helicóptero da Polícia Federal devido ao difícil acesso do local, revelou que o idoso estava isolado e era responsável por cuidar de animais. Apesar de receber um salário, a propriedade não oferecia estrutura mínima para sua permanência, expondo-o a riscos graves e constantes.

Condições desumanas e isolamento

A investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) detalhou as condições degradantes em que o trabalhador vivia. Ele se alimentava apenas uma vez ao dia e raramente tinha acesso a carne. A água para consumo, banho e preparo de alimentos era barrenta, proveniente do rio Pardo, sem qualquer garantia de potabilidade, representando um sério risco à saúde.

Sua moradia era um barraco de madeira precário, com partes de chão batido e poucas áreas cimentadas. O local era compartilhado com os animais da propriedade, como bois e porcos, e possuía frestas nas paredes que permitiam a entrada de animais peçonhentos. Além disso, o homem ficava exposto a animais silvestres, como onças, comuns na região, sem qualquer tipo de proteção ou segurança.

Foi constatado que a fazenda havia sido abandonada pelo proprietário após fiscalizações ambientais, e o trabalhador foi deixado no local para cuidar dos poucos animais que restaram, vivendo em completo isolamento e desamparo.

Resgate complexo e medidas legais

O resgate do trabalhador exigiu uma logística complexa, com a utilização de um helicóptero da Polícia Federal para acessar a área remota. Após ser retirado da fazenda, o homem foi inserido na rede de proteção socioassistencial do município de Altamira e encaminhado a um abrigo, onde receberá o suporte necessário.

O fazendeiro responsável firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT, comprometendo-se a não manter mais empregados em condições degradantes de trabalho e a assegurar todos os direitos trabalhistas, incluindo registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social. O valor acordado para indenização e regularização foi de R$ 120 mil.

Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma remota e sigilosa através do Sistema Ipê ou pelo Disque 100. A vigilância é fundamental para combater essa grave violação de direitos, que infelizmente ainda persiste em diversas regiões do país, incluindo áreas rurais do Rio de Janeiro, como a Região dos Lagos e o Norte Fluminense.

O Rio das Ostras Jornal continua acompanhando as notícias sobre o combate ao trabalho escravo no Brasil.

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