
Um shopping center no sul do Japão transformou-se em um cenário de pânico e destruição após um forte terremoto de magnitude 7.1, seguido por uma explosão devastadora na terça-feira (29). Funcionários e clientes relataram momentos de terror ao tentarem escapar do complexo comercial, que teve seu teto desabado e deixou dezenas de pessoas presas sob os escombros.
A tragédia se desenrolou quando o tremor inicial sacudiu violentamente a estrutura por cerca de dez segundos, culminando em uma explosão que rasgou o edifício, expondo suas vigas de aço e lançando destroços. O incidente, que resultou na morte de 13 pessoas na região, sendo três delas retiradas do próprio shopping, mobilizou equipes de resgate em uma corrida contra o tempo.
Relatos de horror e a fuga desesperada
Sobreviventes descreveram ter sido arremessados ao chão e envoltos em uma nuvem de poeira após a explosão. Eles foram rapidamente orientados por seguranças a deixar o local, após assistirem horrorizados à explosão que rasgou o edifício, expondo as vigas de aço da estrutura e lançando destroços pelo estacionamento.
Takateru Sonoda, de 41 anos, proprietário de um estabelecimento no shopping, relatou à agência de notícias Jiji Press: “Pensei que uma bomba tivesse explodido. Havia pessoas pedindo para que outros evacuassem o local e sirenes tocavam. As estradas próximas estavam congestionadas; era um cenário de pânico”.
Um funcionário de uma das 200 lojas do shopping disse ao jornal japonês “Yomiuri” que o tremor sacudiu o prédio por 10 segundos e o fez cair. Outro funcionário, de 22 anos, que trabalha no cinema do shopping, contou ao jornal que o terremoto levantou uma nuvem de poeira, intensificando o pânico entre os presentes.
Do outro lado da rua, a cerca de 300 metros do shopping, Kazuya Tsurunaga limpava pratos e copos quebrados pelo terremoto anterior quando ouviu a explosão ensurdecedora. “Uma grande nuvem de fumaça subia e, como o vento soprava em direção ao estabelecimento, parecia que cinzas vulcânicas estavam caindo ao nosso redor”, disse ele à emissora TBS.
Desafios no resgate e a busca por respostas
O presidente da Aeon, Akio Yoshida, operadora do shopping, informou em coletiva de imprensa que a equipe conseguiu evacuar 3.000 clientes em apenas meia hora após o terremoto. No entanto, algumas pessoas infelizmente ainda estavam no local quando, 50 minutos depois, ocorreu a explosão.
“Confirmamos que todos os clientes haviam sido evacuados. Acreditávamos que os funcionários também tivessem saído, mas descobriu-se mais tarde que algumas pessoas haviam permanecido lá dentro ou retornado por algum motivo”, explicou Yoshida. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou que se tratava de uma “corrida contra o tempo” para resgatar os ainda presos e outras vítimas do terremoto. Cerca de 170 soldados foram mobilizados para auxiliar nas operações de resgate.
Nas primeiras horas, policiais e bombeiros enfrentaram dificuldades para entrar nos escombros devido ao risco de novos desabamentos da estrutura, em meio a uma série de réplicas sísmicas. Uma autoridade policial informou que mais de 100 réplicas já haviam ocorrido em Kumamoto até o final da terça-feira.
O shopping, o maior da província, havia reaberto no mês passado como um complexo de compras e entretenimento renovado e aprimorado, celebrando sua recuperação após outro terremoto fatal ocorrido uma década antes. Após sofrer danos graves no terremoto de magnitude 7.3 em Kumamoto, em abril de 2016, a operadora destacou, como parte da reforma, os tetos com reforço sísmico e melhorias gerais na segurança e na resiliência da estrutura.
Investigação sobre possível vazamento de gás
Imagens de vídeo feitas por um policial dentro do prédio na manhã de quarta-feira mostraram grandes partes do teto desabadas, fachadas de lojas destruídas e móveis espalhados pelo chão. Alguns socorristas relataram sentir cheiro de gás, disse o porta-voz do governo do Japão, Minoru Kihara, em coletiva de imprensa.
Um correspondente de TV no local informou que um veículo de emergência alertava as pessoas para não se aproximarem do shopping devido a um possível vazamento de gás. Representantes da Aeon informaram que o shopping utilizava GLP (gás liquefeito de petróleo) em vez de gás encanado, abastecido por um tanque de armazenamento externo. O sistema havia passado por uma inspeção de segurança no mês passado, segundo a empresa.
As imagens mostraram que o tanque de armazenamento externo parecia intacto após a explosão. Embora o GLP conte com protocolos de segurança, como medidores controlados por microcomputador que interrompem automaticamente o fornecimento em caso de anomalias ou atividades sísmicas intensas, a causa exata da explosão ainda é investigada. Yoshida afirmou que a probabilidade de a explosão ter sido causada por gás era “muito alta”, mas ressaltou a necessidade de investigações minuciosas para entender o que falhou. Acompanhe as últimas notícias internacionais.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
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