15/07/2026

PF acusa ex-presidente do INSS de receber propina milionária por omissão em fraudes

Imagem gerada com IA
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A Polícia Federal (PF) acusou formalmente o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, de receber até R$ 250 mil por mês em propina. A denúncia, que abala a credibilidade de uma das maiores instituições do país, foi detalhada no primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta última terça-feira.

Segundo a investigação, os pagamentos eram feitos para que Stefanutto se omitisse na fiscalização de associações suspeitas de desviar dinheiro de aposentadorias e pensões através de descontos indevidos. O documento de 256 páginas, encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, resultou no indiciamento de 48 pessoas, incluindo figuras-chave da gestão do INSS.

Acusações e Indiciamentos Chave na Operação Sem Desconto

Além de Alessandro Stefanutto, foram indiciados o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis, e o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Todos os quatro estão presos preventivamente desde o ano passado, reforçando a seriedade das acusações que impactam a Previdência Social em todo o Brasil, incluindo cidades como Rio das Ostras e Macaé, na Região dos Lagos e Norte Fluminense.

Stefanutto, Virgílio Antônio Ribeiro Filho e André Fidelis foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Já Antonio Camilo Antunes responderá por lavagem de dinheiro e participação em corrupção passiva. A PF ressalta que este relatório se concentra exclusivamente na investigação sobre a Conafer, uma das entidades envolvidas no esquema.

O Contexto e a Revelação do Escândalo no INSS

Alessandro Stefanutto assumiu a presidência do INSS em julho de 2023, por indicação do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, que deixou o cargo em abril de 2025, após a revelação do esquema de fraudes envolvendo descontos ilegais em benefícios previdenciários. O escândalo veio à tona através de uma série de reportagens investigativas publicadas pelo Metrópoles a partir de dezembro de 2023.

Três meses após as primeiras publicações, o portal revelou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, atingindo a marca de R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações enfrentavam milhares de processos por fraudes nas filiações de segurados. As reportagens do Metrópoles foram cruciais, levando à abertura de inquérito pela Polícia Federal e abastecendo as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação inicial que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência.

Próximos Passos da Investigação Federal

Agora, caberá ao ministro André Mendonça encaminhar o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta denúncia formal contra os investigados. O grupo de 48 pessoas é investigado por crimes como inserção de dados falsos em sistema de informações, corrupção passiva, corrupção ativa, promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa, além de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.

A reportagem tentou contato com a defesa de Stefanutto, mas não obteve retorno até o momento da publicação. O espaço permanece aberto para manifestação. Para mais informações sobre operações federais e notícias do Interior do RJ, acesse o portal da Polícia Federal.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e trará as atualizações sobre este importante desdobramento na Costa do Sol e em todo o país.

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