
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) a 6ª fase da Operação Unha e Carne, que desvendou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro a partir de postos de combustíveis no Grande Rio. As investigações apontam para movimentações financeiras suspeitas que somam impressionantes R$ 7,6 bilhões, com indícios de envolvimento político.
A ação, que mobilizou agentes em diversas cidades fluminenses, é resultado de um minucioso rastreamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que utilizou sua nova base no Rio de Janeiro para identificar a atuação do grupo e as complexas transações. Os dados fornecidos pelo Coaf foram cruciais para embasar os 19 mandados de busca e apreensão cumpridos na manhã de hoje.
Esquema Bilionário e a 'Mistura de Dinheiro'
No centro da investigação está uma vasta rede de postos de combustíveis localizados no Grande Rio. A suspeita é que esses estabelecimentos funcionavam como uma verdadeira "base de compensação", recebendo tanto valores de origem legal quanto ilegal. Essa prática, conhecida como "mistura de dinheiro", dificultava significativamente o rastreamento pelas autoridades, permitindo que os recursos fossem então repassados a empresas de fachada, completando o ciclo da lavagem.
A dimensão da movimentação financeira, que atinge a marca dos R$ 7,6 bilhões, sublinha a complexidade e a audácia do esquema, que teria contado com a anuência de figuras políticas para operar em larga escala no estado do Rio de Janeiro.
Alvos Incluem Políticos e Miliciano
Entre os principais alvos dos mandados de busca e apreensão estão nomes conhecidos no cenário político e de segurança pública fluminense. O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), e o delegado Marcus Amim, que já ocupou o cargo de secretário estadual de Polícia Civil, tiveram suas residências e escritórios vasculhados pelos agentes.
As investigações identificaram pagamentos suspeitos a Amim e a uma consultoria ligada a ele, que agora estão sob análise. A lista de alvos também se estende a diversos operadores que atuavam diretamente no esquema de lavagem. Outra figura de destaque na mira da operação é o ex-PM e miliciano Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura. Ele já havia sido citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em 2008, como líder de um grupo paramilitar em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e foi condenado e preso por homicídio e associação criminosa no ano seguinte.
Ação Abrange Cidades da Região Fluminense
A operação se estendeu por diversas localidades, demonstrando a abrangência do esquema. Agentes da Polícia Federal cumpriram mandados nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, além da capital fluminense. Essa capilaridade reforça a importância da atuação do Coaf e da Polícia Federal para desarticular organizações criminosas que operam em diferentes pontos do Interior do RJ e da Região dos Lagos.
A nova base do Coaf no Rio de Janeiro, inaugurada recentemente, tem se mostrado uma ferramenta essencial no combate a crimes financeiros complexos, fornecendo inteligência para operações como a Unha e Carne, que impactam diretamente a economia e a segurança pública da Costa do Sol e de todo o Norte Fluminense.
Medidas Judiciais Visam Desmantelar Esquema
Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça determinou medidas rigorosas para desmantelar o grupo criminoso. Foi decretado o sequestro de bens e valores dos envolvidos, uma ação fundamental para reaver os recursos desviados e descapitalizar a organização. Adicionalmente, foi determinada a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao esquema, visando cortar as fontes de financiamento e impedir a continuidade das práticas ilícitas.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
Fonte: G1
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