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O programa “Tolerância Zero”, implementado pela prefeitura do Rio de Janeiro, alterou a rotina da orla da Zona Sul da capital fluminense a partir desta quinta-feira. A iniciativa visa ordenar as praias, impactando diretamente a presença e as atividades de ambulantes entre o Leme e o Leblon.
Com a ação, equipes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal intensificaram a fiscalização, resultando no notório sumiço de diversos vendedores e na apreensão de mercadorias. A medida busca regulamentar o comércio informal, gerando um novo cenário para quem vive do trabalho nas areias e calçadões.
Impacto direto no comércio informal da orla
A implementação do “Tolerância Zero” trouxe mudanças visíveis. Na areia, vendedores de milho cozido e queijo coalho, por exemplo, desapareceram. Próximo aos prédios, na pista, os pontos de venda de quentinhas também estavam vazios. Um caso emblemático ocorreu na Avenida Atlântica, no Leme, onde uma vendedora teve sua comida recolhida por agentes da prefeitura.
A operação também proibiu a comercialização de produtos que utilizem gás ou carvão, como espetinhos, conforme um decreto do ano passado. Vendedores de caipirinha e aluguel de bicicletas elétricas no calçadão também foram afetados, com seu desaparecimento, ao menos, durante a manhã inicial da fiscalização.
Diálogo e desafios para os trabalhadores
A nova realidade gerou desabafos e pedidos de diálogo entre os ambulantes. José Wilton, vendedor de churros em Ipanema, expressou sua dificuldade em trabalhar e chegou a se ajoelhar diante de funcionários da prefeitura, pedindo por uma solução. A cena ocorreu durante a abordagem a uma artesã na Avenida Vieira Souto, que, após um bate-boca, declarou que migraria para a Praça General Osório para continuar suas vendas.
Artur Jorge Silva, vendedor de mate no Arpoador há duas décadas, que atua com licença desde que a profissão se tornou patrimônio cultural carioca em 2012, defende a legalização de outras atividades. Ele ressalta a necessidade de a prefeitura encontrar meios para que todos os trabalhadores informais possam atuar legalmente, evitando confrontos e tumultos.
Estratégia de fiscalização e estrutura montada
A operação conta com duplas de agentes da Seop posicionadas nos acessos à orla, com a função de reter produtos sem procedência comprovada. A maior concentração de forças está em Copacabana, onde dezenas de viaturas e agentes foram mobilizados, com uma base montada em frente ao Hotel Copacabana Palace.
Um caminhão baú foi instalado para recolher as apreensões, que incluíram carrinhos e isopores. Funcionários da Seop informaram que três caminhões foram utilizados para transportar os itens apreendidos desde a madrugada até o fim da manhã. Além disso, grades foram instaladas em algumas calçadas, especialmente em vias próximas ao Posto 3 de Copacabana e nos acessos de pedestres da praia do Arpoador, para reduzir o espaço e facilitar a fiscalização. Para mais informações sobre as ações do governo, acesse o site oficial do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
O Rio das Ostras Jornal acompanha de perto as repercussões dessa nova política na capital, que pode servir de exemplo ou alerta para outras cidades da Região dos Lagos e do Norte Fluminense.
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