
O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União), obteve um alvará de soltura concedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, proferida na noite da última sexta-feira, revoga a prisão em flagrante do político, que havia sido detido por posse ilegal de arma de fogo durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal.
Após passar por audiência de custódia e ter sua prisão ratificada, Canella foi transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio. A operação da Polícia Federal, que culminou em sua prisão, apura a ligação de agentes públicos com organizações criminosas e a lavagem de dinheiro em postos de gasolina.
Detalhes da Prisão e da Operação Unha e Carne
A prisão de Márcio Canella ocorreu na quarta-feira, quando um fuzil foi encontrado no veículo do político durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Embora Canella tenha negado a propriedade da arma, a apreensão levou à sua detenção por porte ilegal de arma de uso restrito. A Operação Unha e Carne, em sua sexta fase, tem como objetivo desarticular uma quadrilha suspeita de usar uma rede de postos de gasolina para lavar dinheiro.
A investigação, que teve origem em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelou uma movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por essa rede. Inicialmente, Canella era apenas alvo de busca e apreensão, mas outras armas, munição e relógios de luxo foram apreendidos em sua residência. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em 19 endereços na capital e em cidades como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, resultando na apreensão de 11 carros de luxo e cerca de R$ 800 mil em espécie em uma empresa em Niterói. Um policial militar também foi preso por porte de arma na casa de um dos investigados.
Impacto Político e os Bastidores da Candidatura
A prisão de Márcio Canella causou um novo abalo na montagem do palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Rio de Janeiro. Canella, apontado pela federação União Brasil-PP como candidato ao Senado com o aval de Flávio, tornou-se o segundo nome da chapa a ser atingido por uma investigação da Polícia Federal em menos de dois meses. Nos bastidores, dirigentes do PL afirmam que a federação deve recuar da indicação e apresentar um substituto.
A avaliação entre aliados do presidenciável é que a permanência de Canella na disputa eleitoral tornou-se politicamente insustentável. Apesar de a decisão final caber à federação, interlocutores de Flávio Bolsonaro indicam que insistir na candidatura representaria um desgaste adicional para uma chapa que já passou por sucessivas mudanças. A Justiça também determinou o sequestro de bens e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado. Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.
A Operação Unha e Carne está inserida no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, uma iniciativa coordenada pela Polícia Federal por determinação do Supremo Tribunal Federal, dentro da ADPF das Favelas (ADPF 365). O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e seus desdobramentos na política do estado do Rio de Janeiro, com impacto em toda a Região dos Lagos e Norte Fluminense.
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