31/07/2026

Galeria no Rio de Janeiro celebra 50 anos com exposição que reflete sobre o tempo

Galeria no Rio de Janeiro celebra 50 anos com exposição que reflete sobre o tempo
Imagem gerada com IA

A cena cultural do Rio de Janeiro ganha destaque com a abertura da exposição "As formas do tempo" em uma renomada galeria de Ipanema. A mostra, que celebra 50 anos de trajetória da galerista, é uma profunda reflexão sobre a passagem do tempo, memória e existência através da arte, convidando o público da Região dos Lagos a uma visita.

Curada por Bernardo Mosqueira, fundador do Solar dos Abacaxis, a exposição foi concebida para honrar a relação da galerista com o território carioca. Ela se insere em um ciclo comemorativo que marca meio século de atuação no mundo da arte e uma década de presença da galeria na capital fluminense, consolidando sua identidade local e seu impacto no cenário artístico do Norte Fluminense.

A Conexão Profunda com o Cenário Carioca

Desde sua inauguração em 2014, a galeria no Rio de Janeiro buscou uma identidade própria, diferente de sua matriz em São Paulo. A intenção era estabelecer uma relação direta com o entorno, integrando-se à vida da cidade. Um dos primeiros marcos foi a instalação "Academia", do artista carioca Marcos Chaves, que remetia às academias ao ar livre, uma homenagem à convivência e ao compartilhamento do espaço público.

Outra série de destaque de Marcos Chaves foi "Sugar Loafer", uma crônica visual de situações tipicamente cariocas, sempre com o Pão de Açúcar como "personagem" central. Essa abordagem inicial moldou o perfil da galeria, que se tornou um ponto de encontro entre a arte e a paisagem urbana de Ipanema, com esculturas no jardim visíveis aos transeuntes.

A ligação com a natureza e o mar do Rio de Janeiro é tão forte que possibilitou projetos únicos. Em janeiro deste ano, a performance "Vela/Tela – Tela/Vela", de Daniel Buren, transformou a Baía de Guanabara em palco para uma regata com onze veleiros. As velas, posteriormente expostas no MAM Rio, dialogaram diretamente com a paisagem local, um exemplo de como a arte se funde ao contexto carioca.

"As Formas do Tempo": Destaques da Exposição Atual

A exposição "As formas do tempo" é o ponto alto das celebrações, explorando a dimensão reflexiva dos aniversários para abordar o tempo, a memória e a existência. As obras selecionadas se conectam por diferentes concepções de temporalidade, tocando em temas como ancestralidade, memória política, transformação ecológica e o inevitável ciclo da vida.

Entre os artistas em destaque, Carlito Carvalhosa é lembrado por sua obra com cera, que preserva as marcas de seus dedos, um gesto que transcende sua ausência física. Sua icônica escultura "Já estava assim quando eu cheguei", que apresenta o Pão de Açúcar invertido, também faz parte da mostra, evocando reflexões sobre a permanência e a ressignificação de símbolos.

A passagem do tempo é visualmente explorada nas pinturas de Maria Klabin, que retratam vasos de flores em diferentes momentos do dia, usando a luz como medida. O trabalho de Daniel Senise, por sua vez, investiga o contraste entre a solidez de colunas de mosteiros em ruínas e a decadência de espaços abandonados, uma metáfora sobre a erosão do tempo. Senise também está com a individual "Os dois lados da janela" no Paço Imperial.

A natureza, protagonista e cenário no Rio de Janeiro, é celebrada na imensa pintura "Queda", de Cristina Canale, que retrata uma queda d'água, simbolizando o movimento constante. A icônica escultura "Baleia", de Ângelo Venosa, instalada na praia do Leme, terá seu restauro este ano, reforçando a conexão da arte com o ambiente costeiro da Costa do Sol.

A mostra também é um espaço para o futuro, reunindo obras de artistas consagrados – como Abraham Palatnik, que escolheu o Rio para viver e trabalhar – e de cinco jovens talentos sem representação comercial. Essa curadoria mista reforça a ideia de que o tempo na arte não é linear, mas um emaranhado de histórias e vislumbres de futuro.

Como bem descreveu o curador Bernardo Mosqueira, "Há algo do tempo que não se entrega à medida". A exposição é um convite a reconhecer as permanências e transformações que moldam a história e a memória, indo além da simples contagem de anos.

O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando os eventos culturais da Região dos Lagos e capital, trazendo sempre o que há de mais relevante para o Interior do RJ.

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