
A inteligência artificial (IA) tem se tornado uma ferramenta cada vez mais presente no cotidiano, mas seu avanço no setor de compras online começa a enfrentar um cenário de maior cautela por parte dos consumidores. Uma pesquisa recente da Rakuten Advertising, divulgada pela Forbes, aponta que a confiança se tornou a moeda mais valiosa no ecossistema de compras com IA, superando a conveniência.
O estudo exclusivo, intitulado “O mais relevante sobre AI shopping para parceiros e líderes de marketing”, rastreou o comportamento de mais de 2 mil consumidores de IA nas Américas, Ásia e Europa, entre novembro de 2025 e março de 2026. Os dados revelam que a IA não substitui a forma tradicional de compra, mas reorganiza sua dinâmica, exigindo uma nova abordagem das marcas e empresas, inclusive para o mercado da Região dos Lagos e Norte Fluminense.
Jovens Recuam no Uso de IA para Compras
Contrariando as expectativas do mercado, o percentual de consumidores que não utilizam IA para compras subiu de 24,7% para 30,1% no período analisado. Esse movimento indica uma fase de uso mais criterioso e maduro da tecnologia. Marcos Facó, diretor de Comunicação e Marketing da FGV, explica que não se trata de uma rejeição à IA, mas de uma normalização do seu uso.
“Depois do encantamento, o consumidor passa a avaliar se a ferramenta realmente economiza tempo, melhora a comparação e reduz a incerteza”, afirma Facó. A retração é mais evidente entre os jovens de 18 a 25 anos, com queda de 13 pontos percentuais, e entre 26 e 35 anos, com recuo de 17 pontos percentuais. Facó atribui essa volatilidade à rapidez com que os mais jovens experimentam e abandonam interfaces que parecem genéricas ou pouco confiáveis.
Em contraste, o grupo de 46 a 55 anos manteve-se mais estável, com uma queda de apenas 3 pontos percentuais, atingindo 78% de adoção. A hipótese é que consumidores mais velhos, ao adotar novas tecnologias, o fazem com uma finalidade mais clara e utilitária. Além disso, a pesquisa mostra que consumidores de maior renda, com ganhos anuais acima de R$ 750 mil, são os mais propensos a usar IA para compras, com uma taxa de adoção de 86%, o que pode estar ligado ao valor do tempo e à complexidade de suas decisões.
Categorias Complexas Exigem Validação Humana
O estudo da Rakuten Advertising também revela que produtos financeiros, softwares e viagens continuam a demandar validação humana e conteúdo especializado, mesmo entre usuários avançados de IA. Essas categorias, por envolverem alto risco percebido, consequências de longo prazo e grande dependência de contexto, fazem com que o consumidor busque não apenas eficiência, mas também compreensão dos critérios de recomendação e responsabilidade por eventuais erros.
Marcos Facó destaca que as limitações objetivas da IA, como informações desatualizadas, ausência de contexto suficiente e dificuldade em explicar determinados critérios, contribuem para a baixa percepção de confiança nessas áreas. Por outro lado, eletrônicos lideram o uso absoluto de IA (45,3%) e apresentam baixo risco de substituição, indicando uma integração mais estável da tecnologia. Vestuário e mercado figuram em posição intermediária, com risco moderado.
No caso dos eletrônicos, a IA se adapta bem devido à grande quantidade de atributos estruturados e comparáveis (processador, memória, bateria, etc.) e ao volume expressivo de reviews e especificações disponíveis. “A principal vantagem da IA, nessa categoria, não é decidir pelo consumidor, mas transformar uma massa dispersa de dados em uma estrutura de decisão mais compreensível”, explica Facó, ressaltando o potencial para otimizar a busca por produtos em cidades como Rio das Ostras e Macaé.
Oportunidades para Marcas na Era da Confiança
Um dos maiores receios dos varejistas digitais, o fenômeno do “zero click” – onde consumidores leem apenas análises geradas por IA sem clicar nos links oficiais – concentra-se em usuários casuais e categorias de baixo risco. O estudo mostra que, entre os usuários mais intensivos, 77,3% afirmam que a IA aumenta a probabilidade de clicarem em links tradicionais de produtos e reviews.
Facó explica que, em compras de alta consideração, a IA pode reduzir as buscas iniciais, mas aumenta a necessidade de validação. O clique não desaparece; ele muda de função, tornando-se um clique de comprovação, aprofundamento ou transação. Salomão Araújo, VP Comercial da Rakuten Advertising no Brasil, reforça que o AI shopping não substitui a jornada tradicional, mas a reorganiza, com o consumidor buscando confiança e validação em compras mais complexas.
Essa nova lógica representa uma mudança de paradigma para publishers, influenciadores e afiliados: o objetivo deixa de ser a descoberta e passa a ser a confiabilidade. “A IA acelera descoberta e comparação, mas a decisão final continua extremamente ligada à confiança”, afirma Araújo. Isso cria uma oportunidade crucial para marcas, publishers e parceiros fortalecerem conteúdos mais aprofundados e relevantes, um desafio importante para empresas em toda a Costa do Sol e Interior do RJ.
O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando as tendências do mercado digital e seu impacto na economia local e regional.
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