03/07/2026

Balanço do semestre: de onde viemos e para onde vamos?

Artigo -Por Angel Morote

Seis meses podem parecer pouco tempo. Mas, quando o assunto é dignidade, inclusão e direitos, esse período é suficiente para revelar o quanto uma cidade pode avançar — ou permanecer estagnada. É com esse olhar que encerramos o primeiro semestre da coluna Entre Direitos e Realidade, um espaço criado para transformar experiências em reflexão e reflexão em ação.

Ao longo desses meses, mergulhamos nas feridas, mas também nas potencialidades de Rio das Ostras. Falamos sobre saúde, educação, mobilidade, esporte, lazer, acessibilidade, participação política e cidadania, sempre sob a perspectiva da inclusão. Mais do que apontar problemas, buscamos compreender suas causas e apresentar caminhos possíveis, mostrando que construir uma cidade mais justa depende de planejamento, compromisso e da participação de toda a sociedade.

O saldo desse período é de muita reflexão e, acima de tudo, de esperança. Ficou evidente que Rio das Ostras possui legislação, recursos e capacidade para se tornar uma referência em acessibilidade e inclusão. No entanto, também constatamos que esse potencial ainda encontra obstáculos na ausência de uma gestão técnica permanente e na persistência de barreiras culturais e institucionais que dificultam a efetivação dos direitos garantidos em lei.

A coluna nasceu com um propósito claro: ser um espaço de denúncia, mas também de proposição. Ao longo do semestre, demos voz às pessoas com deficiência, trouxemos experiências reais, apresentamos soluções fundamentadas na legislação e ampliamos o debate sobre temas que, muitas vezes, permanecem invisíveis no cotidiano. Quando a informação chega ao cidadão de forma clara e responsável, a cobrança ao poder público torna-se mais consciente, qualificada e transformadora.

Também aprendemos uma lição importante: inclusão não beneficia apenas as pessoas com deficiência. Uma cidade acessível melhora a vida de todos. Favorece o idoso, a gestante, a criança, a pessoa com mobilidade reduzida temporária, quem empurra um carrinho de bebê e qualquer cidadão que deseja circular com segurança e autonomia. Inclusão nunca foi privilégio; sempre foi uma demonstração de inteligência urbana, respeito à diversidade e compromisso com o bem comum.

Ao longo deste semestre, discutimos calçadas, transporte, escolas, unidades de saúde, esporte adaptado, turismo acessível, empregabilidade e fiscalização das políticas públicas. Embora pareçam temas distintos, todos convergem para o mesmo princípio: garantir que ninguém seja excluído da vida em sociedade por falta de acessibilidade, oportunidade ou respeito.

Este balanço, portanto, não representa um ponto final. Pelo contrário, marca o início de uma nova etapa. No próximo semestre, continuaremos acompanhando de perto as políticas públicas, fiscalizando o cumprimento das leis, ouvindo especialistas, apresentando boas práticas desenvolvidas em outras cidades e dando voz às pessoas que enfrentam diariamente barreiras que poderiam ser eliminadas com planejamento e vontade política.

Ainda há desafios que exigem atenção urgente. A ampliação das oportunidades de emprego para pessoas com deficiência, a oferta de serviços de reabilitação de alta complexidade, a acessibilidade plena nos espaços públicos e a efetiva inclusão em todas as áreas da vida social permanecem entre as pautas que continuarão orientando o nosso trabalho.

Agradeço sinceramente a cada leitor que acompanhou esta caminhada semanal, compartilhou experiências, enviou sugestões, fez críticas e ajudou a fortalecer este espaço de diálogo. A participação de cada um demonstra que a construção de uma cidade mais inclusiva depende da união entre sociedade, instituições e poder público.

Seguiremos firmes, porque direitos não são favores concedidos por governos ou instituições. São garantias conquistadas e protegidas pela cidadania. Enquanto existir uma calçada intransitável, uma escola inacessível, uma oportunidade negada ou um cidadão impedido de exercer plenamente seus direitos, ainda haverá motivos para escrever, denunciar, propor e acreditar.

Porque cidades verdadeiramente desenvolvidas não são aquelas que apenas constroem mais prédios ou inauguram mais obras. São aquelas em que ninguém fica para trás.

E você? Depois de acompanhar esta jornada ao longo do primeiro semestre, sente-se mais preparado para cobrar, participar e ajudar a construir uma Rio das Ostras que respeite, de fato, a dignidade e os direitos de todos os seus habitantes?

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