11/06/2026

Utilities triplicam peso no Ibovespa em 5 anos (5% a 16%), virando refúgio para investidores

Imagem gerada com IA
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O setor de utilities, que engloba empresas de energia elétrica, saneamento e gás, viu sua participação no principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, triplicar em apenas cinco anos. De junho de 2021 a junho de 2026, a fatia combinada dessas companhias saltou de cerca de 5% para quase 16%, atraindo investidores em busca de previsibilidade no mercado nacional.

Esse movimento reflete um cenário macroeconômico de juros elevados e incertezas fiscais, onde ativos com receitas recorrentes, proteção inflacionária e histórico de bons dividendos se tornam mais atrativos. A valorização das ações e o aumento do interesse por negócios estáveis impulsionaram a ascensão das utilities, consolidando-as como um refúgio para capital em tempos de maior volatilidade.

Setor de Utilities: privatizações impulsionam crescimento e valorização

A trajetória de crescimento das utilities não foi linear, mas acelerada por momentos-chave. Duas grandes privatizações foram catalisadores importantes: a da Eletrobras, hoje conhecida como Axia Energia (AXIA3), concluída em 2022, e a desestatização da Sabesp (SBSP3), em 2024. Ambos os processos reforçaram a percepção de que empresas de infraestrutura regulada poderiam destravar valor significativo através de ganhos de eficiência e melhor alocação de capital.

Além do aumento da participação de companhias já presentes no Ibovespa, o setor testemunhou a crescente relevância de nomes como Equatorial (EQTL3), Copel (CPLE3), Cemig (CMIG4), Energisa, CPFL Energia, ISA Energia e Engie Brasil. A própria Sabesp se tornou um dos casos mais emblemáticos do período, multiplicando diversas vezes sua participação na carteira teórica do índice após o processo de privatização.

Para Bernardo Viero, analista da Suno Research, a busca por utilities é um reflexo da aversão ao risco dos investidores diante de um ambiente macroeconômico desafiador. “Aversão ao risco e incertezas sobre os juros de longo prazo fazem com que os investidores reservem sua exposição à bolsa para os segmentos mais previsíveis e seguros”, afirma Viero, destacando a procura por estabilidade.

Os dados de negociação da B3 corroboram essa tendência. Um levantamento da Elos Ayta revelou que as empresas de utilidade pública foram responsáveis por 14,5% do volume financeiro médio diário negociado em 2026, um aumento considerável em relação aos 11,2% registrados em 2024. Em termos absolutos, o volume diário negociado pelo setor saltou de R$ 1,9 bilhão para R$ 3,5 bilhões no mesmo período, aproximando as utilities de setores historicamente dominantes, como materiais básicos e petróleo.

Saneamento: o novo protagonista do mercado

Uma das principais explicações para o avanço recente das utilities reside no setor de saneamento. Esse movimento ganhou impulso significativo após a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento, em 2020. A legislação estabeleceu metas ambiciosas de universalização dos serviços de água e esgoto até 2033 e ampliou substancialmente a participação da iniciativa privada no setor.

Desde então, investidores passaram a enxergar um ciclo de investimentos de longo prazo, com grande potencial de consolidação, ganhos de eficiência e crescimento para as companhias capazes de expandir suas operações ou melhorar seus indicadores operacionais. O Marco Legal, ao exigir financiamento para a universalização, também explicou, em parte, as privatizações no setor.

Após a bem-sucedida privatização da Sabesp, o mercado voltou seus olhos para outras empresas que poderiam replicar a trajetória de valorização. Nesse contexto, Copasa e Sanepar (SAPR11) ganharam destaque. “Quem comprou Sabesp antes da privatização ganhou muito dinheiro. Depois disso, o mercado passou a olhar, por exemplo, muito mais para a Copasa e para a Sanepar”, explica Flávio Conde, analista da Levante.

A expectativa de privatização da companhia mineira, que deve se consolidar nesta quinta-feira (11), impulsionou fortemente os papéis da Copasa. No entanto, Conde alerta que boa parte dessa tese já foi incorporada aos preços. Viero, da Suno, concorda, afirmando que a Copasa já não negocia mais com o desconto tipicamente associado a estatais. “Hoje, essa melhora continua possível, mas ela se tornou necessária para que o retorno seja interessante”, pondera.

O crescente interesse dos investidores também se manifesta nas operações de mercado de capitais. A oferta subsequente de ações da Copasa, por exemplo, recebeu uma demanda robusta. Notícias indicam que os pedidos de investidores atingiram cerca de R$ 25 bilhões antes da precificação da operação, superando múltiplas vezes o volume inicialmente ofertado.

O Rio das Ostras Jornal continua acompanhando os desdobramentos do mercado financeiro e seus impactos na economia brasileira.

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