23/06/2026

PM intensifica operação em favelas do Rio em meio a guerra entre milícia e tráfico

Imagem gerada com IA
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A Polícia Militar do Rio de Janeiro deflagrou uma operação nesta terça-feira (23) nas comunidades da Gardênia Azul e Muzema, na Zona Sudoeste da capital. A ação ocorre em um cenário de intensa disputa territorial entre milicianos e traficantes, que tem transformado a vizinha Rio das Pedras em um campo de batalha, gerando um clima de terror para os moradores.

Os confrontos diários e a recente descoberta de cemitérios clandestinos em Rio das Pedras, historicamente um berço da milícia, expõem a escalada da violência. A região está 'imprensada' entre áreas já dominadas pelo Comando Vermelho e o avanço miliciano na Grande Jacarepaguá, resultando em pânico e forçando famílias a abandonar suas casas.

Operação Policial e Alianças Criminosas em Favelas do Rio

A operação, conduzida pelo Batalhão de Choque com o apoio do 18º BPM (Jacarepaguá) e do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes), acontece dias após milicianos de Rio das Pedras terem se aliado ao Comando Vermelho, conforme investigações da Polícia Civil. Blindados da polícia foram vistos circulando por Rio das Pedras, reforçando a presença do Estado na área.

Uma ligação de vídeo interceptada revelou a indignação de um miliciano com a mudança de lado de antigos aliados. Na gravação, ele questiona: "Estão falando que vocês estão tudo com o Doca (chefe do Comando Vermelho). Qual foi, Farol? Estava com a gente aqui ontem, parceiro". O diálogo expõe a fragilidade das alianças e a fluidez do cenário criminal.

Juan Barboza de Sousa, conhecido como Farol, que aparece na ligação, foi morto durante uma operação da Polícia Militar. Junto a ele, faleceu José Romário da Silva, o Solteiro. Ambos integravam a milícia de Rio das Pedras e haviam recentemente se juntado ao Comando Vermelho. O chefe da facção citado, Edgar Alves de Andrade, o Doca da Penha ou Urso, é um traficante foragido com 46 mandados de prisão em aberto.

Impacto nos Moradores e a Estratégia do Crime Organizado

Investigações da Polícia Civil apontam o desejo de Doca de tomar toda a Zona Sudoeste do Rio, uma região estratégica para o controle de rotas e mercados ilegais, visando sufocar a atuação miliciana. Enquanto isso, os moradores de Rio das Pedras, Muzema e Gardênia Azul ficam no meio do fogo cruzado, sem ver outra alternativa a não ser deixar suas casas.

"Não dá nem para dormir. Isso aqui está um inferno. Não dá nem mais para morar, estou pensando seriamente em ir embora daqui", desabafou um morador, refletindo o desespero de quem vive sob constante ameaça.

Análise Especializada: O Tabuleiro Geocriminal do Estado

O antropólogo Robson Rodrigues, coronel e ex-chefe do Estado Maior da Polícia Militar, além de pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, analisou as consequências dessas movimentações para o cenário criminal do Estado do Rio de Janeiro. "Há uma transformação desses mercados, dessas facções criminosas, e uma transformação desse tabuleiro geocriminal", pontuou Rodrigues, destacando a complexidade e a dinâmica do crime organizado.

Rodrigues avaliou que a solução para reocupar regiões dominadas pelo crime organizado não reside em ações pontuais. "Como solucionar isso? É uma ocupação racional e inteligente por parte do Estado, não ações intermitentes, não ações da polícia A, B ou C. É do Estado como um todo, para que territórios sejam retomados", concluiu, enfatizando a necessidade de uma abordagem integrada e contínua para garantir a segurança da população.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e os desdobramentos da segurança pública no estado. Para mais informações sobre segurança no Rio de Janeiro, consulte G1 Rio de Janeiro.

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