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Rio de Janeiro – Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como "Mexicano", principal alvo de uma vasta operação policial no Morro Dona Marta, em Botafogo, Zona Sul do Rio, conseguiu escapar do cerco policial nesta terça-feira (24). Segundo informações do delegado Paulo Sabak, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), "Mexicano" teria fugido em direção a uma região de mata densa.
De acordo com as investigações, "Mexicano" é apontado como o responsável por comandar as ações do Comando Vermelho (CV) na comunidade, atuando sob as ordens de Ronaldo Pinto Lima e Silva, o "Ronaldinho Tabajara" ou "R9", que já se encontra preso em Mossoró, no Rio Grande do Norte. A operação visava cumprir 44 mandados de prisão e 98 de busca e apreensão, resultando em um intenso confronto na localidade.
A Fuga Estratégica e a Reação Policial
O delegado Sabak detalhou que as equipes policiais monitoraram a evasão de criminosos assim que chegaram ao terreno. A suspeita é que a liderança máxima da localidade, incluindo "Mexicano", estava presente e conseguiu se evadir para a área de mata. "Justamente por isso houve uma reação tão violenta por parte deles, que não esperavam que a Polícia Civil se faria presente naquela região, porque há muitos anos não havia uma operação ali", explicou Sabak. Os criminosos sustentaram o confronto o máximo possível para garantir a fuga de seus líderes.
A ação policial foi recebida com intenso poder bélico, com os criminosos utilizando fuzis de grosso calibre. A presença de "Mexicano" na comunidade e sua fuga são consideradas um revés, mas a polícia reforça que o trabalho de desestruturação da facção criminosa continua.
Balanço da Operação e Apreensões
Dos 44 mandados de prisão expedidos, 13 foram cumpridos. Desses, oito alvos já estavam presos, incluindo "Ronaldinho Tabajara". Outras seis pessoas, cujas identidades não foram reveladas, foram conduzidas à Cidade da Polícia, com pelo menos uma prisão em flagrante. Durante a operação, os agentes apreenderam uma quantidade significativa de drogas, armamentos, peças de armas, munições, anotações do tráfico, celulares e até bancas de drogas montadas com preços e anúncios.
Uma ex-mulher de "Ronaldinho Tabajara" também foi alvo de busca e apreensão. Em sua residência, foram encontrados documentos, celulares e um veículo sem procedência comprovada. Ela foi levada à delegacia para prestar depoimento, pois as investigações sugerem que ela atuava como intermediária das ordens de "Ronaldinho", mas foi liberada após ser ouvida.
O Poder de "Mexicano" e a Expansão do Tráfico
"Mexicano" é considerado o segundo homem na hierarquia do tráfico no Dona Marta, com diversos procedimentos já apontando sua vinculação com o Comando Vermelho. O delegado Sabak destacou que as investigações aprofundadas conseguiram seu indiciamento e pedido de prisão, comprovando sua gerência no tráfico local. Ele é apontado como o responsável por aumentar o quantitativo de fuzis na região, que passou de quatro ou cinco para pelo menos 30 armas de alto poder de fogo, evidenciado pela violenta recepção às equipes policiais.
A investigação, que durou quase dois anos, monitorou todo o tráfico de drogas na comunidade, identificando diversos indivíduos e construindo o organograma da facção. Pontos de venda de entorpecentes e de contenção, com a utilização de "seteiras" para proteção, foram identificados. Imagens e vídeos mostraram criminosos patrulhando a comunidade com fuzis ao lado de crianças, idosos e escolas em funcionamento, o que levou ao deferimento das prisões cautelares e mandados de busca e apreensão pelo Poder Judiciário.
As Ordens de "Ronaldinho Tabajara" da Prisão
Mesmo preso, "Ronaldinho Tabajara" continua a emitir ordens e direcionamentos para a perpetuação da atividade criminosa na comunidade. Essas ordens seriam executadas por "Mexicano", que possui relevância dentro da facção. "Ronaldinho" é considerado um conselheiro permanente do CV e braço direito de Márcio dos Santos Nepomuceno, o "Marcinho VP", um dos chefes da facção, também preso. Ele participa de deliberações gerais da organização criminosa, não só no Dona Marta, mas em outras localidades, determinando roubos e crimes patrimoniais em toda a capital fluminense, com impacto direto na segurança pública do Rio de Janeiro.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
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