13/06/2026

Justiça italiana nega extradição de Carla Zambelli; defesa busca remoção da Interpol

Justiça italiana nega extradição de Carla Zambelli; defesa busca remoção da Interpol

A Justiça da Itália negou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, conforme decisão divulgada na última quinta-feira. Após o anúncio, a defesa de Zambelli afirmou que ela deve ser retirada da lista de difusão vermelha da Interpol, embora sua situação jurídica ainda seja incerta.

A decisão da Corte Suprema italiana, de 22 de maio e tornada pública nesta sexta-feira, apontou violação do direito a um julgamento justo no processo conduzido no Brasil. Isso porque o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, teria acumulado funções de vítima e julgador, comprometendo a imparcialidade.

Futuro de Zambelli na Interpol e o Pedido da Defesa

O advogado de Carla Zambelli, Fábio Pagnozzi, declarou que a decisão italiana abre uma nova etapa jurídica para a ex-deputada. Segundo apuração do analista de Política Pedro Venceslau, Pagnozzi ainda busca compreender a exata situação de Zambelli em relação à difusão vermelha da Interpol. A inclusão nesta lista impede a circulação em aeroportos internacionais e pode levar à prisão.

Venceslau, em informações apuradas com o analista de Segurança Pública Elijonas Maia, explicou que, embora a retirada do nome da lista seja comum após uma prisão, há a possibilidade de retorno caso haja um novo pedido da Polícia Federal brasileira ou do governo do Brasil. Pagnozzi pretende buscar apoio do governo italiano para intermediar a comunicação com a Interpol e as autoridades policiais, visando esclarecer se Zambelli está liberada para circular pela União Europeia.

No entanto, no Brasil, a ex-deputada não pode pisar neste momento, pois há uma ordem de prisão contra ela. A questão de sua liberdade para deixar a Itália ainda é um ponto a ser esclarecido, conforme ressaltado por Venceslau.

Condenações no Brasil e a Defesa do STF

Carla Zambelli fugiu do Brasil após ser condenada a 10 anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Posteriormente, ela também foi condenada por porte ilegal de arma e ameaça, em um episódio ocorrido em São Paulo às vésperas de uma eleição. Um segundo processo de extradição, referente a esta condenação, está em andamento na Itália.

A Corte Suprema italiana, ao justificar a negação da extradição, destacou que o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, acumulou as funções de vítima de um dos crimes imputados a Zambelli e de integrante do colegiado julgador. Essa circunstância, para a corte italiana, comprometeu a imparcialidade do processo, conforme noticiado pela CNN Brasil.

Em resposta, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, assinou uma nota defendendo a Primeira Turma da Corte. Fachin afirmou que o processo transcorreu em conformidade com a Constituição Federal brasileira, garantindo o direito à ampla defesa.

O caso de Carla Zambelli, que repercute em todo o país, gera discussões sobre a soberania jurídica e os trâmites internacionais, impactando a percepção política não apenas em Brasília, mas também em regiões como a Região dos Lagos e o Norte Fluminense, onde as notícias políticas são acompanhadas de perto.

O Rio das Ostras Jornal acompanha de perto os desdobramentos deste complexo caso jurídico.

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