11/06/2026

Embrapa Reforça Segurança Alimentar Global com 8 Mil Sementes no Cofre do Ártico

Imagem gerada com IA
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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reforçou a segurança alimentar global ao depositar 24 novos acessos de sementes, totalizando 8.149 amostras, no Svalbard Global Seed Vault, na Noruega. A presidente da empresa, Silvia Massruhá, entregou pessoalmente a remessa ao banco mundial de sementes, localizado no Ártico, nesta quarta-feira (10).

embrapa: cenário e impactos

As novas amostras incluem sementes de caju (2), fava (7), amendoim (4), mamona (3) e gergelim (8). Com esta adição, o acervo brasileiro no silo norueguês, iniciado em 2012, agora conta com mais de oito mil tipos de materiais genéticos. Arroz, feijão, milho, trigo e variedades tradicionais de agricultores familiares do Rio Grande do Sul já fazem parte da coleção. Cada caixa lacrada pela Embrapa contém, em média, 500 sementes em embalagem aluminizada e hermética, mantidas a 18 graus negativos.

A iniciativa da Embrapa, vital para a segurança alimentar e o desenvolvimento agrícola do Brasil, tem um impacto indireto em todas as regiões, incluindo o Norte Fluminense e a Região dos Lagos. A preservação dessas sementes garante a base genética para culturas futuras, beneficiando produtores e consumidores em cidades como Rio das Ostras e Macaé, que dependem da estabilidade e diversidade da produção nacional.

“Essa iniciativa representa uma salvaguarda da biodiversidade agrícola mundial e reforça o compromisso da ciência brasileira com o futuro”, afirmou Massruhá em suas redes sociais. Ela destacou a honra de se reunir com a Vice-Governadora de Svalbard para discutir cooperação internacional, sustentabilidade e o papel da ciência diante das mudanças climáticas, ressaltando que “o futuro da agricultura e a segurança das próximas gerações se constroem com preservação, pesquisa e união global”.

O Cofre Global de Sementes: Uma Fortaleza Contra Catástrofes

A ideia de um cofre global de sementes não é recente. Desde 1984, a Noruega mantinha um armazém de sementes nórdicas em Svalbard. A estrutura internacional, idealizada por pesquisadores como o americano Cary Fowler, foi construída em Spitsbergen, a maior ilha do arquipélago, devido às suas condições únicas: estabilidade geológica, afastamento de conflitos, solo permanentemente congelado para resfriamento passivo e altitude suficiente para resistir ao avanço do mar.

Inaugurado em fevereiro de 2008, o cofre é administrado em parceria pelo Ministério da Agricultura e Alimentação da Noruega, pelo Centro Nórdico de Recursos Genéticos (NordGen) e pelo Crop Trust. Na abertura, 278 mil amostras de arroz e trigo foram depositadas. Em setembro de 2009, já eram 423.899 tipos, de 219 países. A revista Time elegeu o Svalbard Global Seed Vault a sexta melhor invenção de 2008.

O crescimento do acervo é contínuo. O 69º depósito, realizado em fevereiro de 2026, elevou o total para 1.386.102 amostras de mais de cinco mil espécies, oriundas de 223 países e territórios. O cofre, projetado para resistir a terremotos de magnitude 10, nunca perdeu um único acesso. Sua estrutura grandiosa, com três câmaras escavadas a 120 metros dentro da montanha Platåberget, tem capacidade para 2,5 bilhões de sementes.

A necessidade de um banco de sementes como este é crucial. Bancos de germoplasma podem ser destruídos por incêndios, inundações, falta de energia, cortes de verbas ou guerras. O Svalbard Global Seed Vault atua como uma salvaguarda. Em 2015, por exemplo, o International Center for Agricultural Research in the Dry Areas (ICARDA) precisou resgatar sementes depositadas em Svalbard após a guerra civil síria destruir suas instalações em Aleppo, comprovando a eficácia do sistema. As mudanças climáticas também ampliam a urgência, tornando a preservação da diversidade genética vital para criar culturas resistentes a novas condições.

O Papel Estratégico do Brasil na Preservação Global

O Brasil se tornou parceiro do cofre em 2012, com depósitos de arroz e milho. As remessas seguintes incluíram feijão, trigo e, em fevereiro de 2025, 2.701 amostras de arroz e feijão, além de 59 variedades de sementes tradicionais da Associação dos Guardiões de Ibarama, no Rio Grande do Sul. Esta foi a primeira vez que uma associação de agricultores familiares brasileiros realizou a multiplicação de sementes com o objetivo exclusivo de depositar cópias de segurança em Svalbard, com custeio do projeto BOLD (Biodiversity for Opportunities, Livelihoods and Development), do Crop Trust.

Com os acessos acumulados, o Brasil ocupa uma posição de destaque entre os países depositantes. Os materiais genéticos entregues nesta quarta-feira ampliam a presença de culturas de importância histórica e econômica para o Nordeste e o Cerrado. O gergelim, com oito novos acessos, é uma das culturas mais antigas cultivadas pelo ser humano, introduzida no Brasil por africanos escravizados no século XVI. A mamona, com três acessos, fornece o óleo base do biodiesel, e a fava, com sete, é uma fonte de proteína fundamental em boa parte do Nordeste.

A missão à Noruega, que começou na segunda-feira (8) e terminou nesta quinta-feira (11), também incluiu a assinatura de uma Carta de Intenções entre a Embrapa e o Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (NIBio). O acordo abre novas frentes de colaboração em produção sustentável de alimentos e conservação de recursos naturais, reforçando a posição do Brasil na vanguarda da pesquisa agrícola global, com benefícios para todo o país, da Costa do Sol ao interior do RJ.

O Rio das Ostras Jornal acompanha as iniciativas que fortalecem a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável no Brasil.

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