26/06/2026

Dólar dispara e DXY atinge patamar inédito desde 2025; entenda a alta da moeda

Imagem gerada com IA
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O dólar registrou uma valorização significativa nesta semana, com o índice DXY, que compara a moeda americana a uma cesta de seis divisas fortes, superando a marca de 101 pontos. Este patamar não era observado desde maio de 2025, um movimento que reflete a expectativa de juros mais elevados nos Estados Unidos e a cautela dos investidores globais. A valorização da moeda estrangeira tem repercussões diretas na economia brasileira, afetando desde o comércio exterior até o custo de vida em cidades como Rio das Ostras e em toda a Região dos Lagos.

Analistas de mercado, incluindo especialistas consultados pelo Money Times, apontam que a postura mais agressiva do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, no combate à inflação americana, e as incertezas econômicas no Brasil, como os cortes na Selic e a situação fiscal, são os principais fatores que impulsionam a moeda norte-americana. Na última quinta-feira (25), o DXY alcançou a máxima de 101,746 pontos, consolidando a tendência de alta.

Juros nos EUA impulsionam valorização do dólar

A recente escalada do dólar é atribuída, em grande parte, às sinalizações de um Federal Reserve mais hawkish, ou seja, mais agressivo no controle da inflação. Instituições financeiras de peso, como o Bank of America (BofA) e o BTG Pactual, já incorporam em seus cenários base a expectativa de três altas de 0,25 ponto percentual na taxa de juros pelo Fed. Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, explica que a reprecificação da taxa de juros nos EUA é o principal motor por trás da valorização do dólar.

A surpresa veio não apenas do discurso mais duro de Kevin Warsh, indicado do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Fed, mas também do gráfico de projeções individuais dos dirigentes do banco central americano, o dot plot, que indicou juros mais altos para o fim de 2026. Isso contrariou as expectativas de que Warsh seria mais leniente com cortes de juros, sendo mais “sensível” às demandas da Casa Branca.

Treasuries atraem investidores em busca de segurança

A elevação das taxas de juros nos Estados Unidos tornou os títulos de renda fixa da dívida pública norte-americana, os Treasuries, significativamente mais atrativos. Na quarta-feira (17), após a decisão de juros do Fed e a coletiva de Warsh, os juros dos Treasuries de curto prazo atingiram a máxima de 4,229%, o maior nível desde fevereiro de 2025.

Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, avalia que, ao analisar a relação risco-retorno, compensa retirar dinheiro da renda variável em mercados emergentes para investir na renda fixa de mercados desenvolvidos. Essa mudança reflete uma escala de risco mais conservadora por parte do investidor global, que busca retornos seguros sem a necessidade de assumir grandes riscos em países como o Brasil. Rodrigo Franchini, especialista de soluções de investimento da Monte Bravo, corrobora essa visão, destacando que os juros mais altos nos EUA atraem o capital de volta para o país, fortalecendo o dólar.

Cenário global e inflação americana ditam próximos passos

Apesar da força atual, a tendência do dólar no médio prazo ainda é incerta, influenciada por fatores como a guerra no Oriente Médio e a evolução da inflação nos Estados Unidos. Recentemente, o conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou nova tensão após a Guarda Revolucionária iraniana atacar uma embarcação no Estreito de Ormuz, conforme noticiado pelo Wall Street Journal.

Em relação à inflação, a métrica preferida do Federal Reserve, o Índice de Preços para Gastos com Consumo Pessoal (PCE), avançou 0,4% na passagem de abril para maio, um pouco abaixo da estimativa de 0,5%. No acumulado de 12 meses até maio, o PCE acelerou para 4,1%, em linha com o esperado. Apesar de um certo alívio no mercado, a ferramenta Fed Watch, do CME Group, ainda aponta uma probabilidade de 63,1% de alta de juros pelo BC dos Estados Unidos a partir de setembro, embora essa aposta tenha diminuído de 70%.

Impacto no Brasil: Selic e fiscal pressionam o real

No cenário doméstico, o real enfrenta ventos contrários que contribuem para a desvalorização frente ao dólar. Leonel Mattos, da StoneX, destaca o ciclo de cortes da Selic e as incertezas relacionadas ao fiscal brasileiro. A expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) continue reduzindo a taxa básica de juros, enquanto o Fed mantém uma postura mais agressiva. Essa diminuição do diferencial de juros entre Brasil e EUA tende a desvalorizar o real.

Além disso, as incertezas quanto à política econômica do próximo governo, mesmo com a proximidade das eleições, geram dúvidas sobre o controle da dívida bruta brasileira. Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, reforça que a elevação da dívida bruta pressiona o câmbio e a curva de juros no Brasil, adicionando mais um fator de instabilidade para a moeda nacional.

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