13/05/2026

União Europeia veta carne brasileira e governo Lula promete reação imediata

União Europeia veta carne brasileira e governo Lula promete reação imediata

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou “surpresa” diante da decisão da União Europeia (UE) de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne animal para o bloco econômico. A medida, que entrará em vigor a partir de 3 de setembro de 2026, gerou preocupação e uma resposta rápida do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), que prometeu ações imediatas para reverter a situação.

A exclusão da carne brasileira do mercado europeu, um parceiro comercial de longa data, levanta questões sobre o futuro das exportações e o impacto na economia nacional, incluindo a cadeia produtiva que abastece o interior do Rio de Janeiro, como a Região dos Lagos e o Norte Fluminense.

Governo Brasileiro Mobiliza-se para Reverter Decisão

Em nota oficial, o MDIC afirmou que o governo brasileiro “tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”. A pasta ressaltou que as exportações seguem normalmente até a data limite.

Para discutir a questão, uma reunião já foi agendada para amanhã entre o chefe da delegação do Brasil junto à União Europeia e as autoridades sanitárias do bloco. O governo Lula defende que o Brasil possui um sistema sanitário robusto e de qualidade internacionalmente reconhecida, sendo o maior exportador mundial de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas para a Europa.

Impacto Econômico e Preocupação do Setor Agrícola

A decisão da UE causou apreensão no setor agrícola brasileiro. Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), destacou a preocupação, especialmente porque o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor provisoriamente no início deste mês. “Importante destacar que o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de produtos de origem animal por causa da excelência da qualidade e da sanidade da sua produção”, afirmou Mori, garantindo que a CNA buscará diálogo para reverter a medida.

A União Europeia é um parceiro comercial crucial para o Brasil. Dados do Agrosat, sistema do Ministério da Agricultura, revelam que as exportações de carnes (bovina e branca) para os 27 países da UE totalizaram US$ 1,8 bilhão em 2025, tornando o bloco o segundo maior destino do produto. Naquele ano, o Brasil exportou um total de US$ 31,8 bilhões em carnes, com a China liderando como principal comprador, seguida pelos EUA e Chile.

Motivações da União Europeia e Contexto Político

Bruxelas justificou a exclusão alegando que o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes sobre a não utilização de determinados produtos antimicrobianos na criação de animais. As regras europeias proíbem o uso de antimicrobianos para acelerar o crescimento ou aumentar a produtividade, além de vetar antibióticos essenciais para tratamentos humanos na pecuária.

Essa política visa combater a resistência bacteriana a medicamentos e reduzir o uso desnecessário de antibióticos. Contudo, autoridades europeias indicaram que a lista pode ser atualizada se o governo brasileiro responder às solicitações pendentes.

A medida é interpretada também como um gesto político e regulatório da União Europeia, buscando demonstrar rigor sanitário em meio às críticas de setores agrícolas europeus e países como a França. O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, declarou: “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona.”

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e seus desdobramentos para a economia nacional e regional.

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