
A Polícia Federal (PF), em desdobramentos da Operação Unha e Carne, revelou uma série de áudios e mensagens que apontam para o envolvimento do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) em esquemas violentos e de controle político dentro da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. As evidências, obtidas no telefone de Fábio Pourbaix, assessor do parlamentar, sugerem que Rangel tinha conhecimento e aprovava táticas de repressão contra opositores, impactando diretamente a gestão educacional em diversas regiões, incluindo o Norte Fluminense e a Região dos Lagos.
A investigação detalha conversas onde o assessor sugere “dar tiro no carro” e “bater na cara” de um rival, recebendo a aprovação do deputado. “Beleza, vamos arquitetar esse cara aí. Tá impossível suportar ele. Arrebentar esse ****”, respondeu Thiago Rangel em um dos registros. O deputado foi preso em 5 de maio, no âmbito da mesma operação que apura fraudes em contratos da pasta de Educação.
Conversas revelam planos violentos contra opositores
Os diálogos interceptados pela Polícia Federal são peças-chave para entender a dimensão das acusações. Em uma das mensagens, o assessor Fábio Pourbaix detalha um plano para intimidar um adversário político. “Rapaz, já sei como a gente vai resolver o problema. Vamos esquematizar um bote. Ninguém vai matar ele nem fazer nada. Ele vai tomar um bote e o moleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele”, afirma Pourbaix.
A resposta de Thiago Rangel, concordando com a ação, reforça a suspeita de que o deputado não apenas tinha ciência, mas também endossava métodos agressivos para silenciar quem se opunha aos seus interesses. Essas revelações chocam a opinião pública e levantam sérias questões sobre a ética e a conduta de agentes públicos no Interior do RJ.
Influência política e vagas ligadas ao tráfico
Além da violência, as mensagens reforçam a tese de que o parlamentar utilizava sua influência para oferecer vagas na Secretaria de Educação a indivíduos com ligações perigosas. A PF suspeita que Thiago Rangel destinava postos na pasta para pessoas conectadas a Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”, um traficante da região.
Um dos registros mais contundentes mostra Gleice Maria Batista da Silva, irmã do traficante, cobrando diretamente uma nomeação prometida pelo gabinete. “Thiago Rangel, aqui é Gleice, irmã de Juninho do Beco. Eu fui fazer uma entrevista em agosto ou setembro e até hoje não me deram uma posição. Meu irmão pediu para eu te ligar para ver o que estava acontecendo”, diz a mensagem, evidenciando a proximidade e a cobrança direta por favores políticos.
Em outra comunicação, o deputado orienta Pourbaix a organizar os documentos das indicações, prendendo-os com um clipe e uma etiqueta com o nome do traficante, o que sugere um sistema organizado de nomeações por influência.
Controle direto sobre a Secretaria de Educação
As investigações também revelam o controle exercido por Thiago Rangel sobre a estrutura da Secretaria de Educação. Em um áudio datado de agosto de 2024, o parlamentar dá ordens expressas à então diretora regional de Educação do Noroeste Fluminense, Júcia Gomes de Souza Figueiredo, que também foi presa na operação.
“Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. Eu não tenho que dar satisfação a ninguém. O deputado sou eu. A indicação é minha e quem manda sou eu”, afirmou Rangel, deixando claro seu domínio sobre as decisões da regional. Para os investigadores, Júcia atuava como uma extensão operacional do deputado, coordenando 57 escolas estaduais em 13 municípios do Norte e Noroeste Fluminense, com mais de 3,2 mil servidores.
Investigação da PF aponta lavagem de dinheiro
O monitoramento da PF identificou uma movimentação financeira suspeita que reforça as acusações de corrupção. Uma transferência de R$ 100 mil foi registrada entre a VAR Construtora, uma empresa ligada a obras escolares que não possuía funcionários registrados, e uma casa de festas. A polícia aponta essa transação como um forte indício de lavagem de dinheiro desviado de contratos públicos.
As informações dos áudios e mensagens foram adicionadas ao relatório da investigação, que segue em andamento. A defesa de Thiago Rangel, por sua vez, defendeu a inocência do parlamentar, alegando que as mensagens foram tiradas de contexto. O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e trará novas atualizações sobre os desdobramentos desta importante investigação que afeta a administração pública do estado.
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