17/05/2026

Suíça abre arquivos secretos do 'Anjo da Morte' nazista Josef Mengele, que morreu no Brasil

Imagem gerada com IA
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O Serviço Federal de Inteligência da Suíça anunciou a abertura de seus arquivos secretos sobre Josef Mengele, o temido 'Anjo da Morte' nazista, que escapou da Europa após a Segunda Guerra Mundial e faleceu no Brasil em 1979. A decisão, aguardada por décadas, ocorre após anos de pedidos insistentes de historiadores e um recente processo judicial.

A medida é um marco na busca por transparência histórica, especialmente diante dos persistentes rumores de que Mengele teria passado um tempo em território suíço, apesar de um mandado de prisão internacional. A recusa anterior das autoridades em conceder acesso alimentou intensas teorias da conspiração sobre o possível envolvimento ou omissão suíça.

Os crimes hediondos e a fuga do 'Anjo da Morte'

Conhecido como o 'Anjo da Morte', Josef Mengele foi um médico da Waffen-SS, o braço paramilitar nazista. Ele serviu no campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia ocupada, onde selecionou cerca de 400 mil pessoas, a maioria judeus, para as câmaras de gás. Estima-se que 1,1 milhão de indivíduos morreram no local.

Além das seleções para a morte, Mengele realizava experimentos médicos sádicos em prisioneiros, principalmente crianças e gêmeos, antes de também os enviar para o extermínio. Após a guerra, como muitos nazistas de alto escalão, ele rapidamente mudou de identidade e uniforme.

Com documentos falsos, Mengele obteve papéis de viagem da Cruz Vermelha no consulado suíço em Gênova, na Itália. Estes foram usados para sua fuga para a América do Sul, onde viveu por décadas até sua morte no Brasil, em 1979. A Cruz Vermelha, que visava ajudar deslocados, posteriormente se desculpou por ter emitido documentos para criminosos de guerra.

A misteriosa ligação de Mengele com a Suíça

Embora tenha fugido da Europa em 1949, sabe-se que Mengele passou férias esquiando nos Alpes suíços com seu filho Rolf em 1956. Oficialmente, ele teria passado o resto da vida na América do Sul, mas a historiadora suíça Regula Bochsler sempre questionou se ele retornou à Europa após um mandado internacional de prisão ser emitido em 1959.

Bochsler descobriu que, em junho de 1961, o serviço de inteligência austríaco alertou os suíços sobre a possível presença de Mengele em seu território, viajando com nome falso. Além disso, a esposa de Mengele havia alugado um apartamento em Zurique e solicitado residência permanente, levantando suspeitas.

Arquivos da polícia de Zurique consultados por Bochsler revelam que o apartamento foi vigiado em 1961. A polícia chegou a registrar a Sra. Mengele dirigindo seu Volkswagen, acompanhada por um homem não identificado, o que intensificou as especulações sobre a presença do criminoso no país.

A luta pela abertura dos arquivos e a vitória judicial

A prisão de um criminoso de guerra procurado como Mengele teria envolvido a polícia federal suíça. Em 2019, Bochsler solicitou acesso aos arquivos federais, mas teve o pedido negado. Os documentos estavam lacrados até 2071, sob alegações de segurança nacional e proteção da família.

Em 2025, o historiador Gérard Wettstein fez nova tentativa, também negada. Ele contestou a decisão judicialmente, arrecadando 18 mil francos suíços (cerca de R$ 100 mil) em financiamento coletivo em poucos dias. Foi então que o Serviço Federal de Inteligência da Suíça reverteu sua posição.

Em comunicado recente, o serviço afirmou que o solicitante terá acesso ao arquivo, 'sujeito a condições e requisitos ainda a serem definidos'. Esta ressalva, no entanto, gera preocupação entre os historiadores sobre a transparência real do material a ser divulgado.

O que os documentos podem revelar e o peso do passado suíço

Nem todos estão convencidos de que os arquivos trarão grandes revelações sobre o próprio Mengele. Sacha Zala, presidente da Sociedade Suíça de História, acredita que pode haver referências a serviços de inteligência estrangeiros, como o Mossad de Israel, que perseguiu ativamente criminosos nazistas.

Para historiadores como Jakob Tanner, o sigilo prolongado revela mais sobre a Suíça do que sobre Mengele. Ele aponta para um conflito entre segurança nacional e transparência histórica, e para a 'vergonha' suíça em relação ao seu papel na Segunda Guerra Mundial, quando refugiados judeus foram rejeitados e bancos mantiveram fortunas de vítimas do Holocausto.

Tanner considera plausível a presença de Mengele na Suíça em 1961, especialmente após a prisão de Adolf Eichmann na Argentina em 1960, o que fez a América do Sul parecer menos segura para nazistas em fuga. Outros criminosos, como Walter Rauff, também retornaram à Europa nesse período.

O fim de uma era de mistério e a busca pela verdade

Mengele nunca foi preso ou condenado por seus crimes. Morreu no Brasil em 1979, enterrado sob nome falso. Seu corpo foi exumado em 1985 e, em 1992, testes de DNA confirmaram sua identidade, encerrando décadas de rumores sobre seu paradeiro.

Ainda assim, as perguntas persistem: Mengele esteve na Suíça? As autoridades suíças ignoraram sua presença? Ou tudo não passou de um boato? A divulgação dos arquivos, mesmo com possíveis censuras, pode finalmente trazer alguma clareza a este capítulo sombrio da história.

Como resume o historiador Wettstein, 'Talvez nunca cheguemos à verdade real. Nunca saberemos se ele esteve aqui ou não... mas talvez possamos ter pelo menos uma ideia mais clara'.

O Rio das Ostras Jornal acompanha os desdobramentos desta importante revelação histórica.

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