A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) manifesta seu mais veemente repúdio à Medida Provisória anunciada pelo Governo Federal que determina a volta da isenção do Imposto de Importação sobre as remessas internacionais de comércio eletrônico, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. A medida representa um grave retrocesso para a indústria nacional, para os trabalhadores brasileiros e para o equilíbrio das contas públicas.
A decisão é ainda mais incompreensível quando confrontada
com os próprios dados da Receita Federal. Nos quatro primeiros meses de 2026, a
União arrecadou R$ 1,78 bilhão com o Imposto de Importação sobre essas
remessas. Abrir mão desta receita voluntariamente – em ano eleitoral – é uma
escolha que contraria qualquer princípio de responsabilidade fiscal,
especialmente em um momento em que o mesmo Governo Federal propõe,
sistematicamente, elevar a carga tributária sobre a indústria e o varejo
nacionais para fechar as contas públicas.
Os dados demonstram que a tributação das plataformas
estrangeiras produziu resultados concretos e mensuráveis. Desde a implantação
do Remessa Conforme, em 2023, e do Imposto de Importação, em 2024, o Comércio
gerou 860 mil novos empregos diretos e outros 1,5 milhão de vagas na cadeia
produtiva. A indústria criou, no mesmo período, 578 mil postos de trabalho. O
País atingiu, ao final de 2025, o menor desemprego de sua história: 5,1%.
A reversão desta política coloca em risco todo esse avanço e
os investimentos já comprometidos estarão ameaçados caso o governo mantenha a
decisão de alterar regras do jogo ao sabor do calendário eleitoral.
Não é aceitável que, enquanto as plataformas estrangeiras
recebem benefícios do Governo Federal, as empresas brasileiras padecem sob o
peso do Custo Brasil.
Ao contrário do que ocorre com seus concorrentes
internacionais, a indústria e o varejo nacionais convivem com uma das maiores
cargas tributárias do mundo, com legislação trabalhista complexa e onerosa, com
gargalos de infraestrutura e com um ambiente regulatório que eleva
sistematicamente o custo de produção. O resultado desta assimetria já aparece nos
números: segundo o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa
Experian, 2025 foi o ano com maior número de empresas em recuperação judicial
da história, com 2.466 processos protocolados. São empresas que empregam
trabalhadores brasileiros, que pagam impostos aqui, que cumprem nossas leis – e
que não têm, diante das plataformas asiáticas subsidiadas em seus países de
origem, nenhuma condição de competição em igualdade de condições.
O Brasil foi pioneiro global no enfrentamento desta
distorção e inspirou outros países – EUA, México, Equador, Índia, Indonésia e a
própria União Europeia – a adotarem medidas semelhantes. Retroceder agora, na
contramão do mundo e em ano eleitoral, em troca de popularidade imediata, é uma
decisão que prejudica a competitividade do País no longo prazo desmerece os
contribuintes que trabalham desenvolvimento nacional sustentável.
Diante do exposto, a Firjan requer, com urgência, a
revogação da referida Medida Provisória e convoca o Governo Federal ao diálogo
com o setor produtivo, em defesa do emprego, da renda, da arrecadação e do
desenvolvimento nacional.

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