
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), colaboração para a prisão do empresário Ricardo Magro, proprietário da refinaria Refit. O pedido, feito em dezembro de 2025, ganhou novo destaque após Magro se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, que também investiga o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
refit: cenário e impactos
A iniciativa de Lula visava estreitar a cooperação internacional no combate ao crime organizado, com foco em brasileiros foragidos que residem nos Estados Unidos. O presidente brasileiro destacou a importância de prender grandes líderes criminosos que, segundo ele, são os maiores devedores do país e operam esquemas de importação de combustível de forma irregular.
O Apelo Presidencial e a Busca por Colaboração Internacional
A conversa telefônica entre Lula e Trump, ocorrida em dezembro de 2025, revelou a preocupação do governo brasileiro com a presença de criminosos foragidos em solo americano. Lula mencionou especificamente Ricardo Magro, apontando-o como um dos principais chefes do crime organizado no Brasil e o maior devedor do país, com residência em Miami.
“Mandei para ele [Trump], no mesmo dia, a proposta do que nós queremos fazer. Disse para ele, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior devedor deste país, importa combustível fácil, mora em Miami”, relatou Lula na ocasião. Este apelo sublinha a complexidade das investigações que transcendem fronteiras e a necessidade de apoio mútuo entre nações para desmantelar redes criminosas.
Refit: Histórico de Irregularidades e a Máfia dos Combustíveis no Rio
A Refit, uma refinaria fluminense adquirida por Ricardo Magro em 2008, tem um longo histórico de envolvimento em investigações sobre irregularidades no setor de combustíveis. Magro, que já atuava no ramo com a rede de postos Tigrão, viu sua empresa ser classificada por secretarias estaduais da Fazenda como “devedora contumaz”, termo que designa companhias que sistematicamente deixam de recolher impostos.
Sob a gestão de Magro, a refinaria de Manguinhos foi alvo de diversas operações policiais e chegou a ser interditada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em setembro e outubro de 2025. A empresa foi investigada já em 2010 por suspeita de integrar a máfia dos combustíveis no Rio de Janeiro, realizando manobras fiscais para importar gasolina sem o devido recolhimento de impostos e vendê-la a distribuidoras. Tais práticas impactam diretamente a arrecadação do estado do Rio de Janeiro, afetando municípios como Rio das Ostras e Macaé, e a economia de toda a Região dos Lagos e Norte Fluminense.
As Operações da Polícia Federal e o Prejuízo Bilionário aos Cofres Públicos
A mais recente ação contra Ricardo Magro é a operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades no setor de combustíveis e também mira o ex-governador Cláudio Castro. Contudo, o Grupo Refit já esteve no centro de outras grandes investigações.
Em 2025, a empresa foi alvo da operação Carbono Oculto, que investigou o fornecimento de combustíveis a distribuidoras com supostas ligações ao PCC (Primeiro Comando da Capital). No mesmo ano, em novembro, a companhia voltou a ser alvo da operação Poço Lobato. Esta investigação apura suspeitas de sonegação fiscal, fraude estruturada e ocultação de patrimônio, crimes que teriam causado um prejuízo superior a R$ 26 bilhões aos cofres públicos. A magnitude desses valores demonstra o impacto devastador dessas práticas na economia e na capacidade de investimento em serviços essenciais para a população do Interior do RJ e de todo o Brasil.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e trará novas informações sobre os desdobramentos desta complexa investigação que envolve figuras políticas e empresariais de destaque.
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