![]() |
| Hospital Municipal de Rio das Ostras / Foto: Angel Morote |
Artigo: Por Angel Morote
O Hospital Municipal de Rio das Ostras deveria ser um
símbolo de segurança para a população. É para lá que milhares de moradores
correm nos momentos mais delicados de suas vidas. Porém, para muitos cidadãos,
a unidade tem se tornado o retrato de um sistema sobrecarregado, lento e
distante da realidade de quem depende exclusivamente da saúde pública.
As reclamações sobre demora no atendimento, falta de leitos,
escassez de medicamentos e dificuldades para acesso a exames e procedimentos
não são episódios isolados. Elas revelam um problema estrutural que vai muito
além do hospital. A saúde pública municipal parece operar constantemente no
limite, enquanto a população continua aguardando respostas efetivas.
Quem vive a rotina da cidade sabe que faltam insumos
básicos, materiais essenciais e equipamentos fundamentais para garantir
dignidade aos pacientes. Cadeiras de rodas, muletas, equipamentos de apoio,
materiais de reabilitação e até itens simples frequentemente se tornam
obstáculos para moradores que já enfrentam situações extremamente delicadas. Em
muitos casos, famílias precisam recorrer a campanhas solidárias para conseguir
aquilo que deveria ser garantido pelo poder público.
Para as pessoas com deficiência, os desafios são ainda
maiores. A ausência de estrutura adequada, equipamentos adaptados e
profissionais preparados para atendimento inclusivo transforma o acesso à saúde
em uma verdadeira via-crúcis. Inclusão não pode continuar sendo tratada como
discurso institucional enquanto pacientes enfrentam barreiras diariamente
dentro do próprio sistema de saúde.
Rio das Ostras é uma cidade em crescimento, com forte fluxo
turístico e aumento constante da demanda hospitalar. Isso exige planejamento
sério, gestão técnica e investimentos permanentes. A população não pode
continuar convivendo com improvisos enquanto a saúde pública sofre influência
de interesses políticos e práticas de indicação que muitas vezes colocam
acordos acima da eficiência.
A saúde não pode funcionar como balcão político. Hospital
não é espaço para disputa de poder, favorecimentos ou acomodação de interesses.
A prioridade precisa ser o paciente.
É fundamental que os recursos públicos destinados à saúde
sejam aplicados com transparência, fiscalização rigorosa e foco absoluto em
resultados concretos para a população. Modernizar equipamentos, garantir
manutenção adequada, ampliar estoques de medicamentos e valorizar profissionais
não deveria ser tratado como promessa, mas como obrigação básica de qualquer
gestão pública.
O cidadão que paga impostos quer mais do que discursos. Quer
entrar no hospital e encontrar atendimento digno, estrutura adequada e
respeito.
A pergunta que permanece é simples e inevitável: até quando
a população de Rio das Ostras continuará esperando por uma saúde pública que
funcione na velocidade que a urgência da vida exige?

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!