04/05/2026

Exposta rede global que filma e compartilha abuso de mulheres dopadas

Exposta rede global que filma e compartilha abuso de mulheres dopadas

Uma chocante investigação da CNN expôs uma vasta rede internacional de homens que compartilham vídeos e fotos de mulheres dopadas, inconscientes ou sedadas, filmadas e violentadas sem consentimento. O caso, que lembra a história de Gisèle Pelicot, revela a organização de agressores em fóruns e sites pornográficos, acendendo um alerta global para crimes sexuais.

O material chocante circula em fóruns, grupos privados e sites pornográficos, onde os participantes trocam técnicas, incentivam uns aos outros e discutem formas de escapar da justiça. A descoberta reacende o alerta sobre crimes sexuais cometidos dentro de casa, muitas vezes por parceiros íntimos, um problema que afeta comunidades em todo o mundo, incluindo cidades como Rio das Ostras e Macaé.

A Rede Global de Abuso Digital

A investigação, iniciada pelas jornalistas alemãs Isabell Beer e Isabel Ströh e aprofundada pela CNN, identificou mulheres vítimas desse tipo de abuso em diversos países. Um dos sites citados é o Motherless, uma plataforma pornográfica que registrou 62 milhões de visitas em fevereiro, abrigando mais de vinte mil vídeos de mulheres dormindo ou sedadas, acumulando centenas de milhares de visualizações. A dimensão do fenômeno levanta a pergunta: quantas mulheres podem ter sido vítimas sem saber?

Jornalistas se infiltraram em grupos de chat onde homens trocam conselhos sobre como dopar parceiras, filmá-las sem que percebam e evitar rastros digitais. O anonimato e a sensação de "fraternidade masculina" nesses espaços online dificultam o desmantelamento do sistema. Além dos vídeos, a investigação revelou canais dedicados a ensinar métodos de dopagem, como o "Zzz", onde homens trocam informações sobre substâncias para "submissão química", incluindo proporções e modos de administração. Em uma das conversas, um homem afirma que "sua mulher não vai notar nada e não vai lembrar de nada", enquanto oferece líquidos sedativos para venda.

Vítimas Silenciosas e a Luta por Justiça

A CNN localizou vítimas em diferentes regiões. Zoe Watts, de Devon, na Inglaterra, descobriu que o marido, com quem foi casada por dezesseis anos, triturava soníferos do próprio filho para colocá-los em seu chá, a fim de violentá-la e filmá-la inconsciente. Na Itália, uma mulher identificada como Valentina encontrou vídeos gravados pelo marido, com quem vivia havia vinte anos, nos quais aparecia sendo agredida após ser dopada com soníferos e álcool.

A história de Gisèle Pelicot, francesa violentada pelo marido e por dezenas de outros homens, ganhou repercussão internacional justamente por mostrar que os agressores podem ser homens comuns, de qualquer idade ou profissão. Este caso emblemático e a nova investigação reforçam a urgência de combater essas redes criminosas que operam globalmente, impactando a segurança de mulheres em todas as partes do mundo, da Região dos Lagos ao Norte Fluminense.

Na França, duas associações — a Fondation des Femmes e a M’endors pas, fundada por Caroline Darian, filha de Gisèle Pelicot — anunciaram que pretendem acionar a justiça francesa. Em comunicado, afirmam que os "delitos organizados, dentro de verdadeiras comunidades, incentivam e estruturam a violência". Elas pedem a abertura de uma investigação preliminar, já que é altamente provável que haja usuários franceses envolvidos e novas vítimas no país.

As organizações também solicitam a intervenção da Arcom, órgão regulador do audiovisual, e da plataforma Pharos, responsável por denúncias de conteúdos ilícitos na internet. O objetivo é aplicar medidas de bloqueio e retirada de resultados de busca relacionados ao Motherless e a outros sites que hospedam vídeos de violações cometidas sob efeito de substâncias químicas. Para enfrentar essas redes, defendem a criação de uma lei contra a violência sexista e sexual, nos moldes do que uma coalizão feminista reivindica há dois anos, ressaltando a necessidade de políticas públicas eficazes no ambiente digital.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e reforça a importância da conscientização sobre a violência contra a mulher em todas as suas formas. Para mais informações sobre o caso Gisèle Pelicot, clique aqui.

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