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O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e de Monique Medeiros Costa e Silva pela morte do menino Henry Borel foi retomado nesta terça-feira, no 2º Tribunal do Júri da Capital. A primeira testemunha de acusação a depor foi o delegado Edson Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) em março de 2021, quando o crime ocorreu.
Durante sua oitiva, conduzida pela juíza Elizabeth Machado Louro, Damasceno narrou aos jurados o início da investigação e as providências tomadas, destacando como a versão inicial de um acidente doméstico foi desmentida por laudos periciais e outras evidências chocantes. O depoimento do delegado trouxe à tona detalhes cruciais sobre a apuração, incluindo episódios de agressão e tentativas de manipulação.
Início da Investigação e Descobertas Cruciais
O delegado Edson Henrique Damasceno relatou que tomou conhecimento da morte de Henry Borel após uma comunicação de Leniel Borel de Almeida Junior, pai da criança. Imediatamente, foram determinadas providências para a preservação do apartamento onde o menino vivia com a mãe e Jairinho, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, e a realização de uma perícia no imóvel.
Inicialmente, a ocorrência chegou às autoridades como um possível acidente doméstico. Contudo, Damasceno afirmou que, no decorrer das diligências, os laudos periciais começaram a indicar um cenário completamente diferente, com lesões incompatíveis com a versão de acidente. O policial também revelou que o local do crime já havia sido alterado, pois a empregada Rosângela realizou a limpeza do apartamento antes da perícia completa.
Agressões Anteriores e Omissão da Mãe
Em seu depoimento, o delegado detalhou relatos colhidos durante a investigação que apontam para agressões anteriores sofridas por Henry. Ele destacou o episódio de 12 de fevereiro de 2021, quando mensagens trocadas entre Monique e a babá Thayna revelaram preocupação com uma situação ocorrida no apartamento.
Segundo Damasceno, a babá relatou que Henry permaneceu trancado em um quarto com Jairinho por volta das 16h30. Embora não fosse possível precisar o tempo exato, a criança saiu do cômodo mancando. Thayna afirmou ter batido na porta diversas vezes sem obter resposta e pediu que Monique retornasse rapidamente para casa. A mãe de Henry, que estava em um salão de beleza, respondeu: “Nossa, vim tão rápido que até borrei a unha”. Após o incidente, a babá teria recebido R$ 100 de Jairinho.
Tentativa de Abafar o Caso e Perícia Prejudicada
Um dos pontos mais graves do depoimento do delegado foi a revelação de que Jairinho tentou evitar que o corpo de Henry fosse encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). Damasceno teve acesso a mensagens trocadas entre o ex-vereador e um executivo da Rede D’Or, nas quais Jairinho buscava que a declaração de óbito fosse emitida diretamente pelo Hospital Barra D’Or, sem a necessidade de perícia.
“O Jairo faz contato com um executivo da Rede D’Or e fala que quer que o óbito seja atestado ali. Tanto é que ele até fala assim: ‘Ou vocês agilizam ou eu agilizo’”, declarou o policial. Essa manobra, explicou o delegado, teria impedido o início da investigação e a coleta de provas essenciais, dificultando qualquer apuração posterior sobre a causa da morte. As insistências de Jairinho cessaram após divergências com Leniel Borel sobre o encaminhamento do corpo para exame pericial.
Ação da Polícia e Retomada do Júri
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) assumiu a investigação devido aos indícios de que a morte de Henry poderia ter origem criminosa, uma vez que mortes por acidentes ou causas naturais não são apuradas pela especializada. O depoimento do delegado marcou o início da fase de instrução em plenário, onde testemunhas, peritos e os próprios réus serão ouvidos pelos sete jurados.
O júri popular foi retomado após uma sessão tumultuada na segunda-feira, quando a defesa de Jairinho apresentou diversos pedidos de nulidade, todos rejeitados pela magistrada. A expectativa é que o julgamento continue a revelar detalhes importantes sobre o caso, que chocou o Rio de Janeiro e o Brasil.
Para mais informações sobre o caso e outros desenvolvimentos da justiça, acesse Jusbrasil.
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