10/05/2026

Brasil reforça importação de diesel da Rússia e EUA após fechamento de Ormuz

Imagem gerada com IA
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O Brasil tem direcionado suas compras de diesel para a Rússia e os Estados Unidos, registrando um aumento significativo nas importações do combustível. A mudança ocorre desde março, quando o acirramento do conflito no Oriente Médio levou ao fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, impactando o abastecimento global e a economia na Região dos Lagos e em todo o país.

A decisão de buscar novos fornecedores visa suprir a demanda interna e garantir a estabilidade do mercado nacional, que antes dependia de rotas no Golfo Pérsico. Dados recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revelam uma alteração drástica na origem do diesel que chega ao país, com implicações para cidades como Rio das Ostras

e Macaé.

Aumento das importações de diesel russo e americano

Segundo o sistema Comex Stat, a compra de diesel russo pelo Brasil mais que dobrou em apenas dois meses. Entre março e abril, o país importou um total de US$ 1,76 bilhão em diesel. Desse montante, a Rússia foi responsável por 81,25%, totalizando US$ 1,43 bilhão. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 6,42%, ou US$ 112,92 milhões.

Analisando apenas o mês de abril, a participação russa se torna ainda mais proeminente. O Brasil adquiriu US$ 924 milhões em diesel da Rússia, representando 89,84% do total importado naquele mês. Os Estados Unidos contribuíram com US$ 104,44 milhões (10,98%). Uma pequena parcela, de apenas US$ 4.264, veio do Reino Unido, correspondendo a 0,001%.

Em março, o Brasil ainda conseguiu importar diesel do Oriente Médio, graças a navios que haviam partido do Golfo Pérsico antes da escalada do conflito. Naquele mês, foram comprados US$ 111,89 milhões dos Emirados Árabes Unidos (15,7% do total) e US$ 99,23 milhões da Arábia Saudita (13,57%). A comparação mostra um salto nas importações russas: de US$ 433,22 milhões em fevereiro, para US$ 505,86 milhões em março, e quase US$ 1 bilhão em abril.

Impacto do fechamento do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural, conectando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Seu fechamento, em decorrência do acirramento de conflitos no Oriente Médio, gerou uma imediata necessidade de reajuste nas cadeias de suprimento globais, forçando países como o Brasil a diversificar suas fontes de diesel.

A interrupção do fluxo por essa via estratégica não apenas elevou os custos de frete e seguros, mas também criou incertezas sobre a disponibilidade do combustível. A resposta do Brasil, ao intensificar as compras de diesel da Rússia e dos EUA, reflete uma estratégia para mitigar os riscos e garantir a segurança energética do país, impactando diretamente o custo de vida no Norte Fluminense

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Medidas do governo para conter preços do diesel

Diante dos efeitos da crise internacional sobre o preço do diesel para os consumidores, o governo brasileiro implementou uma série de medidas. Em março, uma medida provisória concedeu R$ 10 bilhões em subsídios para a importação e comercialização do produto. Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que zerou o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o combustível, com um impacto de R$ 20 bilhões sobre a arrecadação federal.

Essas ações visam reduzir o preço final do combustível. O corte dos impostos deve diminuir o valor do litro em R$ 0,32 na refinaria, enquanto a subvenção a produtores e importadores adiciona mais R$ 0,32 de impacto por litro. A equipe econômica informou que as perdas de receita com as desonerações foram compensadas pelo crescimento na arrecadação de royalties de petróleo, impulsionadas pela alta na cotação do barril.

Adesão dos estados à redução do ICMS

Em abril, a equipe econômica criou um programa para que os estados reduzissem o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel importado, com o custo dividido igualmente entre os estados e a União. Embora o governo tenha prorrogado o prazo de adesão até a última terça-feira, 5 de maio, apenas Rondônia não aderiu ao acordo.

Essa medida tem o potencial de reduzir o preço do litro do diesel em R$ 1,20 na bomba, com um custo estimado de R$ 4 bilhões em dois meses, valor superior à estimativa inicial de R$ 3 bilhões do Ministério da Fazenda. Ainda em abril, o governo anunciou uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com um custo mensal estimado de R$ 3 bilhões. Em ambos os casos, as empresas deverão comprovar o repasse da redução ao consumidor, beneficiando motoristas e transportadores em toda a Costa do Sol

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O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e os desdobramentos no mercado de combustíveis.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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