Por Angel Morote
O trabalho é
o principal instrumento de inserção social e de construção da dignidade humana.
No entanto, para milhares de
cidadãos em Rio das Ostras, o acesso a esse direito é uma
porta fechada. O desemprego e o
subemprego assolam nossa juventude e nossos pais de família, mas para a pessoa
com deficiência, a barreira é ainda mais profunda: o preconceito e o
capacitismo estrutural. Muitas
empresas locais ainda enxergam a contratação de uma Pcd como um fardo ou apenas como o cumprimento burocrático de uma
cota legal, ignorando o potencial produtivo e a competência técnica que
possuímos.
A exclusão do
mercado de trabalho gera um ciclo de pobreza e isolamento que é devastador. Sem autonomia financeira, a Pcd fica à mercê de benefícios sociais
que, embora necessários, não substituem a realização pessoal de ter o próprio
sustento. Rio das Ostras carece de programas municipais
de qualificação profissional que sejam verdadeiramente acessíveis e que
conectem o trabalhador às demandas reais do comércio e da indústria local. A prefeitura deve ser a ponte entre o
talento da pessoa com deficiência e as oportunidades de emprego, promovendo
parcerias com o setor privado e oferecendo incentivos para empresas que
pratiquem a inclusão real, muito além do que a lei exige.
Em minha
vivência, percebo que a falta de acessibilidade urbana também é uma causa de
desemprego. Como alguém pode
manter um emprego se não consegue chegar ao local de trabalho de forma segura e
pontual? A política de emprego
deve estar integrada à política de transporte e mobilidade. Além disso, é preciso combater a ideia
de que a pessoa com deficiência "não quer trabalhar para não perder o
benefício". Essa é uma
falácia que ignora o desejo humano de evolução. O que falta são postos de trabalho adaptados e uma cultura
organizacional que valorize a diversidade funcional como um ativo, e não como
um passivo.
Lutar por
emprego é lutar por cidadania. Precisamos
de uma frente parlamentar e de um executivo que pensem estrategicamente na
geração de renda para todos. A
inclusão produtiva é a única forma de garantir que Rio das Ostras seja
uma cidade de oportunidades e não de exclusão. O trabalho dignifica o homem, mas a falta dele, especialmente por
discriminação, fere a alma e trava o desenvolvimento do nosso município. Estaremos sempre cobrando que as
portas se abram, pois a nossa competência não tem limites, o que tem limites é
o preconceito de quem contrata.
O que as
autoridades e os empresários de Rio
das Ostras estão esperando para
transformar a inclusão profissional de "obrigação de cota" em uma
estratégia real de desenvolvimento humano e econômico?

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