15/04/2026

Rio das Ostras usa "armadilhas" tecnológicas para monitorar Aedes aegypti e manter baixos índices de Dengue


Com apenas 23 casos confirmados em 2026, cidade aposta em monitoramento antecipado e vistorias diárias; Vigilância explica por que o uso do fumacê é descartado no cenário atual

Enquanto diversas regiões do país enfrentam desafios com o aumento das arboviroses, Rio das Ostras segue na contramão, mantendo os índices de dengue, zika e chikungunya sob rigoroso controle. O sucesso desses números não é por acaso: o município é um dos pioneiros no Estado a utilizar as "ovitrampas", armadilhas estratégicas que monitoram a presença do mosquito Aedes aegypti antes mesmo de surgirem os primeiros casos em humanos.

Esse sistema de monitoramento antecipado permite que a Vigilância em Saúde identifique exatamente quais bairros possuem maior concentração de ovos do mosquito. Com esse "mapa da mina" em mãos, as equipes conseguem planejar ações de bloqueio com muito mais eficiência, atacando o problema na raiz.

Raio-X das Doenças em 2026

Os dados atualizados pela Secretaria de Saúde trazem um panorama positivo para a cidade:

  • Dengue: Dos 211 casos suspeitos desde janeiro, apenas 23 foram confirmados. Outros 121 já foram descartados e 67 seguem em investigação.
  • Zika e Chikungunya: Zero casos confirmados ou suspeitos até o momento.
  • Febre Oropouche: Apenas uma notificação sob investigação.
  • Óbitos: Nenhum registro de morte pelas doenças este ano.

O Mito do Fumacê

Uma dúvida comum da população é sobre a ausência do carro do fumacê nas ruas. A coordenadora da Vigilância em Saúde, Nirvana Braga, esclarece que, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde, o método só é indicado em situações de surto real.

O uso indiscriminado do fumacê, além de não eliminar larvas e ovos (matando apenas o mosquito adulto que está voando no momento), causa um impacto ambiental severo. Ele elimina predadores naturais do Aedes, como vespas e abelhas, e pode ser tóxico para plantas e aves. No cenário atual de Rio das Ostras, o trabalho manual de eliminação de criadouros é infinitamente mais eficaz.

A Regra dos 10 Minutos

A Vigilância Ambiental reforça que o ciclo de vida do mosquito — do ovo à fase adulta — leva de 7 a 10 dias. Por isso, a recomendação de ouro é que cada morador dedique apenas 10 minutos por semana para vistoriar seu imóvel.

"Agindo uma vez por semana, interrompemos o ciclo de desenvolvimento do vetor antes que ele comece a transmitir as doenças", explica Nirvana. O foco deve ser em vasos de plantas, calhas, garrafas vazias e qualquer recipiente que possa acumular água parada. O combate ao mosquito é um dever compartilhado entre o poder público e cada cidadão riostrense.

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