Enquanto Prefeitura confirma 45 mil visitantes, representante do evento tenta maquiar realidade com números fictícios e minimiza violência contra motociclistas
O encerramento da 30ª edição do Encontro Internacional de
Motociclistas de Rio das Ostras — o Ostrascycle — deveria ser um momento de
celebração de três décadas de história. No entanto, o que se viu após o último
ronco dos motores neste domingo foi um espetáculo de contradições e uma postura
oficial que beira o desrespeito com a ordem pública e com as vítimas de
violência. Em um vídeo de balanço do evento, Diego Shalon, representante dos
organizadores Ostradeiros Motoclube e Jaguar do Asfalto Moto Clube, adotou uma
postura defensiva e arrogante, disparando a frase que já ecoa negativamente por
toda a cidade: “Polêmica vende mais que
sucesso”.
A Batalha dos Números: Fatos vs. Narrativa
O primeiro ponto de ruptura entre a realidade e a fala da
organização reside nos números. Com uma clareza que tenta sobrepor o sucesso
econômico a qualquer falha de segurança, o organizador afirmou que o evento
atraiu 70 mil pessoas e injetou R$ 13 milhões na economia local. Contudo, os dados oficiais da Prefeitura de Rio das
Ostras desmentem a euforia do presidente.
De acordo com o balanço técnico do Executivo, o contingente
real de circulação foi de 45 mil
pessoas. A diferença de 25 mil pessoas — quase uma "cidade"
inteira — revela uma tentativa deliberada da organização de inflar a relevância
do evento para minimizar as críticas. O impacto econômico, embora expressivo,
também foi corrigido oficialmente para R$
12 milhões, mostrando que a narrativa da organização busca criar uma
"bolha de sucesso" para blindar a gestão de críticas severas.
Violência no Pátio: Onde a Lei da Selva Substituiu o
Código de Trânsito
O que a organização chama de "polêmica" são, na
verdade, crimes tipificados no Código Penal. Vídeos que circulam sem censura
nas redes sociais mostram um nível de truculência inadmissível em um evento que
se diz "familiar". Em um dos registros mais brutais, um homem é visto
sendo atingido por um golpe de bastão nas costas. O motivo? O chamado "corte
de giro". Por mais que a manobra seja ruidosa e desaprovada por veteranos,
o uso de agressão física por grupos de civis — supostamente ligados ao
motoclube Abutres — configura exercício arbitrário das próprias razões.
A arrogância organizacional atingiu seu ápice ao comentar o
caso de uma motociclista feminina que foi cercada e teve a chave de sua moto
subtraída. O representante do evento chegou a mencionar um "tom de
provocação" nas imagens, o que soa como uma tentativa de transferir a
culpa para a vítima. Relatos confirmam que a mulher foi confundida com outro
motociclista, sendo coagida e desrespeitada em público. A intervenção de
terceiros foi a única razão para que ela recuperasse seu bem e sua liberdade de
ir e vir.
A Falha na Segurança e a Omissão
A declaração de Diego Shalon de que "não estava
presente" no momento das agressões e que o evento era seguro devido à
presença da PM e da Guarda Municipal expõe uma lacuna grave. Se crimes
ocorreram de forma ostensiva, com agressores portando bastões em área pública,
a pergunta que o cidadão de Rio das Ostras faz é: onde estava o controle de
acesso e a fiscalização de conduta?
Ao priorizar a defesa da "marca" Ostrascycle em
vez de acolher as denúncias, a organização envia um recado perigoso: o de que
códigos de conduta de motoclubes específicos valem mais do que a segurança
individual do visitante.
O Debate: Segurança Pública ou "Justiça"
Privada?
Sobre as cenas de violência envolvendo supostos membros do motoclube
Abutres, o tom da organização foi de distanciamento e crítica à repercussão. Ao
dizer que a polêmica teria tido mais espaço que o sucesso, o representante do
evento pareceu minimizar o sofrimento das vítimas.
A polêmica levanta uma questão jurídica e social: até onde
vai a autonomia de um motoclube para "policiar" um evento público?
Para muitos frequentadores, a fiscalização deve ser estritamente realizada
pelas autoridades competentes (PM e Guarda), e não por grupos privados sob o
pretexto de manter a ordem.
O desfecho da edição de 30 anos deixa uma lição para o
futuro. Se por um lado Rio das Ostras provou ser capaz de sediar um evento de
magnitude internacional com sucesso financeiro, por outro, fica o alerta de que
a segurança e o respeito individual precis
am estar acima de qualquer
"código de ética" interno de motoclubes.
O Eco da Arrogância
Dizer que "polêmica vende mais que sucesso" é um
tapa na face de quem foi agredido. Para a vítima da paulada ou para a mulher
constrangida, o sucesso econômico de R$ 12 milhões não apaga o trauma da
violência. O sucesso de um evento de 30 anos não se mede apenas pela taxa de
ocupação hoteleira, mas pela capacidade de garantir que cada visitante volte
para casa em segurança.
O Rio das Ostras Jornal mantém seu
compromisso com os fatos. Ostrascycle é um patrimônio da cidade, mas não pode
se tornar um território sem lei onde a arrogância de seus gestores tenta
transformar crimes em "estratégias de engajamento". A cidade merece
transparência, números reais e, acima de tudo, respeito.

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