24/04/2026

Gilmar se desculpa após sugerir que ser homossexual é ofensa em crítica a Zema

Gilmar Mendes se desculpa após sugerir que 'homossexual' 
é ofensa. Fellipe Sampaio / STF

Ministro do STF questionou na quinta-feira (23) se não seria ofensivo retratar o ex-governador de MG como um ‘boneco homossexual’

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pediu desculpas na quinta-feira (23) por sugerir que “homossexual” seja ofensa. A manifestação aconteceu nas redes sociais após o magistrado questionar, em entrevista ao portal Metrópoles, se não seria ofensivo retratar o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), como um “boneco homossexual”.

Na publicação, Gilmar disse que não tem “receio em reconhecer o erro”, mas ponderou que existe “uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo”. 

Na entrevista ao portal Metrópoles, o ministro estava criticando uma publicação de Zema sobre a série “Os Intocáveis”, quando perguntou se seria ofensivo fazer bonecos do ex-governador de MG como homossexual.

“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? É correto brincar com isso?”, disse Gilmar Mendes.

Zema reagiu à fala de Gilmar e, também nas redes sociais, afirmou que o ministro do STF mostrou “todo o seu preconceito para o Brasil”. 

Embate entre Gilmar e Zema

O embate entre Gilmar Mendes e Romeu Zema ganhou novos capítulos, quando o decano do STF enviou uma representação a Alexandre de Moraes pedindo a investigação do ex-governador de Minas Gerais, por compartilhar em suas redes sociais um vídeo com uma sátira aos ministros da Corte.

Na representação, Gilmar apontou a suspeita de indícios de crime em uma publicação feita por Zema.

Moraes pediu uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre a inclusão de Zema no inquérito.

O vídeo publicado por Zema retratava uma conversa entre dois bonecos, caracterizados por desenhos de fantoches, que representariam Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No vídeo, Toffoli telefona para Gilmar e pede a ele que anule as quebras de sigilo de sua empresa, aprovada na CPI do Crime Organizado do Senado.

Com um diálogo marcado por ironias e caricaturas, Gilmar responde que anularia as quebras e pede em troca uma cortesia no resort Tayayá, no qual Toffoli possuía participação acionária.

A sátira se baseia no fato de que Gilmar Mendes efetivamente proferiu decisão anulando as quebras de sigilo da Maridt. Essa é a empresa de Toffoli e dos irmãos do ministro que recebeu aportes de um fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, como mostrou o Estadão.

Na representação enviada a Moraes, Gilmar escreveu que o vídeo “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.

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