Questionado sobre a duração do conflito, o republicano disse
que não gostaria que a guerra se prolongasse
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta
segunda-feira (2), que a “grande onda” de ataques ainda está por vir na
guerra contra o Irã.
Em uma conversa telefônica de nove minutos com o apresentador
Jake Tapper, da CNN, Trump disse que os EUA estão “dando uma surra” no Irã.
“Ainda nem começamos a atingi-los com força. A grande onda ainda nem chegou. A
grande onda está chegando em breve”, afirmou.
“Acho que está indo muito bem. Temos as melhores
forças armadas do mundo e estamos usando-as”, acrescentou.
Questionado sobre a duração do conflito, o republicano
disse que não gostaria que a guerra se prolongasse. “Sempre achei
que seriam quatro semanas. E estamos um pouco adiantados em relação ao
cronograma”, afirmou.
Trump disse ainda que os EUA promoverão ações para
ajudar o povo iraniano a retomar o controle do país, mas que, por ora,
todos devem permanecer em casa. “Não é seguro lá fora.”
Segundo o presidente, “a maior surpresa” desde o início do
conflito, no sábado (28), foram os ataques do Irã contra países árabes da
região: Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos.
“Ficamos surpresos”, disse Trump. “Dissemos a eles: ‘Nós
resolvemos isso’, e agora eles querem brigar. E estão brigando agressivamente.
Eles iam se envolver muito pouco, e agora insistem em se envolver.”
O presidente afirmou não saber quem será a próxima
liderança iraniana, mas que os iranianos “talvez tenham sorte e consigam
alguém que saiba o que está fazendo”. Segundo Trump, 49 líderes iranianos foram
mortos durante os ataques.
Ele também disse que tentou negociar com o regime
iraniano, mas que não conseguiu chegar a um acordo sobre o enriquecimento
de urânio. “Eles tinham todo aquele material enriquecido. Consideraram refazer
o processo lá, mas estava em tão mau estado que a montanha basicamente
desabou”, afirmou.
Mais cedo, em entrevista por telefone ao jornal New York
Post, Trump disse que não descartava a presença de forças americanas no Irã
caso “fossem necessárias”.
“Não tenho receio nenhum em relação ao envio de tropas
terrestres. Tipo, todo presidente diz: ‘Não haverá tropas terrestres’. Eu não
digo isso”, afirmou Trump ao jornal. “Eu digo: ‘Provavelmente não precisamos
delas’, (ou) ‘se fossem necessárias’.”
Críticas ao Reino Unido
Horas antes da divulgação da entrevista à CNN, Trump
disse ao jornal britânico Daily Telegraph estar “muito desapontado” com
a demora
do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, em permitir que os
EUA utilizassem bases militares britânicas em operações contra o Irã.
Starmer cedeu posteriormente e autorizou o uso das bases
britânicas para “fins defensivos específicos e limitados” e confirmou
que os EUA poderiam utilizá-las para atacar instalações de mísseis iranianos,
conforme solicitado por Washington. Entre as bases envolvidas está o
estratégico complexo militar de Diego Garcia.
Durante a entrevista, Trump classificou a resistência
de Starmer em relação à base nas Ilhas Chagos como algo “inédito entre nossos
países“. “Levou muito tempo. Tempo demais”, disse.
Em coletiva na tarde desta segunda-feira, o
primeiro-ministro britânico afirmou que o Reino Unido não irá se juntar aos ataques
neste momento, mas que continuará “nossas ações defensivas na região.”
*Com Estadão Conteúdo

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