Nova internação do ex-presidente, que está na UTI, também é vista como um possível trunfo da defesa do capitão da reserva
Internado nesta sexta-feira (13) com
um quadro de broncopneumonia bacteriana bilateral, o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) tentará entrar novamente com um pedido de prisão domiciliar
no Supremo Tribunal Federal (STF). Interlocutores ouvidos pela coluna
avaliam que o quadro mais delicado do capitão da reserva nesta internação,
somado ao desgaste sofrido pelo Judiciário com o caso Master e o trabalho de
aliados do ex-presidente nos bastidores aumentam as chances da defesa de
conseguir o benefício humanitário.
Após passar mal, Bolsonaro foi levado às pressas ao hospital
DF Star, onde está internado na UTI. Apesar do quadro estável, os médicos
pessoais de Bolsonaro insistem que a saúde dele estaria mais resguardada em
casa. A opinião não é compartilhada pelos peritos que avaliaram o
ex-presidente, que dizem não haver necessidade da prisão domiciliar.
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Com o período eleitoral se aproximando, no entanto, aliados
de Bolsonaro acreditam que essa última internação tende a compadecer os
ministros. Senão pela saúde de Bolsonaro em si, pelo medo de serem associados a
uma possível deterioração do quadro de saúde de um político tão popular.
No início deste mês, o ministro Alexandre de Moraes voltou
a negar o pedido da defesa do ex-presidente para que ele fosse levado
à prisão domiciliar, alegando que a Papudinha não tem
estrutura suficiente para os atendimentos médicos. A decisão de
Moraes foi referendada pela Primeira Turma da Corte.
Em fevereiro, aliados do ex-presidente consideravam
certos 5 votos de ministros do Supremo para conceder o benefício ao
ex-presidente: o presidente da Corte, Edson Fachin, e os ministros Gilmar
Mendes, Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. A corte, que tem 11 cadeiras,
só tem 10 ministros em atuação após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A
coluna apurou que aliados de Bolsonaro acreditam que Dias Toffoli possa ser o
voto decisivo para mandar o presidente de honra do PL para casa. Relator do
caso e tido como “algoz” de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes é o mais
resistente à possibilidade.
Moraes e Toffoli são exatamente os dois ministros mais
arranhados pelos desdobramentos do caso Master. A coluna apurou que a
estratégia de parte dos aliados do ex-presidente seria amenizar as críticas ao
Judiciário caso Bolsonaro seja mandado para casa. No entanto, não houve nenhuma
negociação com os ministros.
Apesar de a conta ser considerada boa para a direita — já
que o assunto sofria
muita resistência por conta da tentativa de burlar a tornozeleira
eletrônica — o benefício só seria cedido a partir de abril, após o prazo de
desincompatibilização (período em que políticos devem se afastar de cargos para
disputarem as eleições) para o período eleitoral. O entendimento é que o STF
quer evitar maior interferência de Bolsonaro no pleito de 2026.
O trabalho está sendo feito por várias mãos. Como antecipado
pela Jovem Pan, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) e o
governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atuaram
pessoalmente em prol da mudança. Tarcísio está em Brasília nesta
quarta e será recebido por Moraes, Gilmar, Toffoli e Cristiano Zanin no
Supremo, mas a pauta da reunião é outra.
No Congresso Nacional, senadores aliados do ex-presidente
continuam se movimentando. A ideia dos congressistas é aumentar a pressão sobre
os ministros, que tendem a querer evitar uma nova queda de braço entre os
poderes. A avaliação de representantes da direita ouvidos pela coluna é que uma
decisão a favor de Bolsonaro ajudaria a pacificar a relação entre os Poderes.
Entenda a internação
Bolsonaro está internado após passar mal. A informação sobre
o encaminhamento para a unidade de terapia intensiva foi divulgada pela unidade
de saúde no início da tarde desta sexta-feira (13).
Como a Jovem Pan havia antecipado,
Bolsonaro foi diagnosticado com broncopneumonia (entenda o que é mais abaixo).
O diagnóstico aconteceu após o ex-presidente ser encaminhado ao
Hospital DF Star por ter passado mal e apresentado calafrios na
“Papudinha”, onde está preso.
Bolsonaro chegou ao hospital por volta das 8h50 em
uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Entenda a broncopneumonia
A broncopneumonia é uma infecção que se espalha por
várias partes dos pulmões, atingindo as pequenas estruturas por onde o ar
passa (os bronquíolos e os alvéolos).
Na maioria das vezes, a doença é provocada pela invasão
de bactérias, vírus ou fungos. No entanto, um
sinal de alerta vai para as gripes, resfriados e outras
doenças respiratórias mal tratadas. Quando as infecções mais simples não
são cuidadas corretamente, elas podem se agravar e se tornar uma broncopneumonia.
Principais sintomas
Os sintomas costumam ser mais intensos do que os de um
resfriado comum:
- Tosse
(que pode ser seca ou com catarro grosso);
- Febre,
geralmente alta, acompanhada de calafrios e suor;
- Dor
no peito na hora de tossir ou puxar o ar fundo;
- Falta
de ar, dificuldade para respirar ou chiado no peito;
- Cansaço
muito forte, fraqueza e dores pelo corpo;
- Mal-estar
geral, falta de apetite, dor de cabeça e tontura;
- Nas
pessoas mais velhas, a doença pode se manifestar de forma diferente,
provocando confusão mental ou delírios.
*Esse texto
não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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