Se os preços dos barris permanecerem nesta faixa alguns
analistas e investidores dizem que pode ser demais para a economia global
suportar
Os preços do petróleo ultrapassaram US$ 100 por barril pela
primeira vez em mais de três anos e meio, com a guerra no Irã
impedindo a produção e o transporte no Oriente Médio. Pesa também sobre essa
cotação o anúncio feito neste domingo (8) que o Irã escolheu o aiatolá Mojtaba
Khamenei, filho de Ali Khamenei, morto em um ataque na primeira semana do
conflito, como seu novo líder supremo.
O preço do barril de petróleo Brent, o padrão internacional,
estava em US$ 101,19 logo após a retomada das negociações na Bolsa Mercantil de
Chicago, um aumento de 9,2% em relação ao preço de fechamento de US$ 92,69 na
sexta-feira (6).
O West Texas Intermediate (WTI), petróleo bruto leve e doce
produzido nos Estados Unidos, estava sendo vendido por volta das 20h por cerca
de US$ 107,2 o barril. Isso representa um aumento de mais de 16,2% em relação
ao preço de fechamento de sexta-feira, de US$ 90,90.
Os aumentos ocorreram após os preços do petróleo bruto dos
EUA subirem 36% e os preços do petróleo Brent aumentarem 28% na semana passada.
Os preços do petróleo subiram à medida que a guerra, agora em sua segunda
semana, envolveu países e locais críticos para a produção e o transporte de
petróleo e gás do Golfo Pérsico.
Aproximadamente 15 milhões de barris de petróleo bruto –
cerca de 20% do petróleo mundial – são normalmente transportados todos
os dias pelo Estreito de Ormuz, de acordo com a empresa de pesquisa
independente Rystad Energy. A ameaça de ataques com mísseis e drones iranianos
praticamente impediu os petroleiros de atravessarem o estreito, que faz
fronteira ao norte com o Irã, transportando petróleo e gás da Arábia Saudita,
Kuwait, Iraque, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Irã.
O Iraque, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos reduziram sua
produção de petróleo à medida que os tanques de armazenamento se enchem devido
à redução da capacidade de exportação de petróleo bruto. O Irã, Israel e os
Estados Unidos também atacaram instalações de petróleo e gás desde o início da
guerra, exacerbando as preocupações com o abastecimento.
A última vez que os futuros do petróleo bruto dos EUA foram
negociados acima de US$ 100 por barril foi em 30 de junho de 2022, quando o
preço atingiu US$ 105,76. Para o Brent, foi em 29 de julho de 2022, quando o
preço atingiu US$ 104 por barril.
O aumento global dos preços do petróleo desde que Israel e
os EUA atacaram o Irã no fim de fevereiro abalou os mercados financeiros,
gerando preocupações de que os custos mais altos da energia alimentem a
inflação e levem a uma redução nos gastos dos consumidores americanos, o
principal motor da economia.
Nos EUA, o galão de gasolina comum subiu para US$ 3,45 no
domingo, cerca de 47 centavos a mais do que na semana anterior, de acordo com o
clube automotivo AAA. O diesel estava sendo vendido por cerca de US$ 4,60 o
galão, um aumento semanal de cerca de 83 centavos.
O preço do gás natural também subiu, embora não
tanto quanto o do petróleo. A alta foi de cerca de 11% na semana passada.
Se os preços do petróleo permanecerem acima de US$ 100 por
barril, alguns analistas e investidores dizem que pode ser demais para
a economia global suportar.
No fim de semana, as forças armadas de Israel atacaram
depósitos de petróleo em Teerã, quatro navios-tanque de armazenamento de
petróleo e um terminal de transferência de petróleo.
Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano,
disse que o impacto da guerra sobre a indústria petrolífera entraria em uma
espiral, alertando que em breve poderia se tornar mais difícil produzir e
vender petróleo.
O Irã exporta cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo por
dia, principalmente para a China, que pode precisar procurar outros
fornecedores se as exportações do Irã forem interrompidas, outro fator que
poderia aumentar os preços da energia.
*Estadão Conteúdo

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