A decisão foi em resposta pela morte do líder supremo do
Irã, o aiatolá Ali Khamenei
A Guarda Revolucionária do Irã declarou nesta segunda-feira
(2) que o Estreito de Ormuz, maior e principal passagem marítima do
petróleo no Oriente Médio, está fechado e ameaça incendiar as embarcações
que tentarem atravessá-lo, segundo informações da mídia iraniana.
“O estreito (de Ormuz) está fechado. Se alguém tentar
passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão
esses navios”, disse Ebrahim Jabari, um dos principais assessores do
comandante. Por esse estreito transita aproximadamente 20% do petróleo
consumido no mundo.
A decisão foi comunicada pelo comandante da Guarda
Revolucionária como represália pela morte do líder supremo do Irã,
o aiatolá Ali Khamenei, que aconteceu após ataques de Israel e dos Estados
Unidos no último sábado (28).
Embaixador do Irã no Brasil
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou,
em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (02), que o país não fez um
ataque contra países vizinhos, e sim contra bases militares. Após os
ataques coordenados pelos Estados Unidos e por Israel que mataram autoridades
iranianas, como o aiatolá Ali Khamenei, mísseis e drones do país atingiram
Israel, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar e Arábia Saudita.
“A nossa ação é compreensível e essa compreensão vem de que,
quando você está sendo atacado por uma base, não pode só ficar olhando”,
declarou Nekounam.
Sobre o Estreito de Ormuz, e cujo
fechamento pode impactar nos preços globais, o embaixador disse que coisas como
essa se envolvem em situações de guerra.
Nekounam lembrou ainda que o Khamenei, morto no sábado (28),
destacava que um ataque ao Irã ocasionaria uma guerra regional.
Impacto do fechamento no preço do petróleo
O preço do petróleo deve continuar volátil e oscilar
entre US$ 80 e US$ 100 o barril após o ataque norte-americano ao Irã,
e a consequente retaliação, afirma o sócio da Leggio Consultoria, Marcus
D’Elia.
Para ele, tudo vai depender do período em que o estreito de
Ormuz permanecer fechado. Se o acesso ficar bloqueado por mais de 40 dias, há
risco de faltar petróleo no mundo.
“O atual conflito impacta diretamente o Estreito de Ormuz,
por onde é exportada 15% da produção mundial de petróleo. Deste volume, cerca
de 80% vai para a Ásia, principalmente China, Índia, Japão e Coreia. Com as
ameaças do governo iraniano de atacar navios que passarem por este
estreito, as petroleiras suspenderam a navegação no trecho”,
explica D’Elia.
Segundo ele, o estreito poderá estar completamente fechado
no caso do uso de minas subaquáticas, que exigem um tempo longo para recuperação
da navegabilidade, ou restrito a partir do momento em que o risco para
embarcações se torna elevado. O que aumenta o seguro e frete destas
cargas e reduz o interesse de armadores em realizar este transporte.
“O impacto disso pode variar significativamente conforme
o tempo em que a passagem permanecer interrompida”, explica D’Elia.
JP

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