1/27/2026

O "passo de tartaruga" do transporte: Licitação por etapas em Rio das Ostras pode deixar bairros esperando até 2027

 

Foto: Angel Morote

Por Angel Morote

Enquanto a Prefeitura foca na vitrine da Linha 20G (Zen), o restante da cidade segue refém de um sistema precário e sem previsão de melhoria imediata

Na última sexta-feira (23), a Prefeitura de Rio das Ostras oficializou o que chamou de "licitação por etapas" para o transporte público. No papel, a Portaria Sectran nº 001/2026 parece um avanço técnico; na prática, ela revela um cronograma que pode testar — e muito — a paciência do passageiro riostrense.

A decisão de começar apenas pela Linha 20G (Jardim Miramar x Zen) cria uma divisão perigosa na cidade: de um lado, uma linha "modelo", com frota padronizada e regras claras; do outro, dezenas de bairros que continuarão convivendo com o atual cenário de incertezas, vans superlotadas e falta de horários.

A conta que não fecha para o passageiro

O ponto mais crítico da nova portaria é o prazo. A Sectran estabeleceu que a avaliação técnica dessa primeira etapa vai durar até fevereiro de 2027. O questionamento que fica nas ruas é inevitável: o morador do Âncora, da Cidade Praiana ou de Cantagalo terá que esperar mais dois anos para ter um transporte digno?

Embora a prefeitura alegue que o escalonamento evita erros jurídicos e garante uma implantação segura, a urgência de quem perde horas no ponto de ônibus não parece ter sido priorizada no cronograma. Rio das Ostras vive uma crise de mobilidade que exige soluções sistêmicas, e não apenas em uma linha isolada, por mais estratégica que ela seja para o setor industrial (Zen).

O "vazio" operacional

Adoção desse modelo levanta dúvidas que a Sectran ainda não esclareceu totalmente:

  1. O que será feito para melhorar as linhas atuais enquanto a licitação total não acontece?
  2. Haverá algum reforço na fiscalização das vans que hoje operam no limite da precariedade?
  3. Como evitar que o transporte municipal se torne um sistema de "duas velocidades", onde apenas quem trabalha na Zen tem acesso ao novo padrão de qualidade?

É preciso transparência

O cidadão paga a passagem hoje e sofre com o serviço hoje. A técnica jurídica é necessária para que o processo não seja anulado pela Justiça, mas a gestão pública não pode esquecer o caráter social do transporte. O escalonamento pode até ser o caminho mais seguro para o governo, mas para o passageiro que depende do sistema para trabalhar e estudar, o sentimento é de que a solução definitiva foi, mais uma vez, empurrada para o futuro.

O espaço está aberto para que a Sectran detalhe quais serão as medidas paliativas para os demais bairros enquanto o "modelo ideal" não chega para todos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!