Anderson Aguiar do Prado, supervisor de segurança do
shopping, e a brigadista Emellyn Silva, que morreram no incêndio, tinham
identificado diversas irregularidades.
Incêndio no Shopping Tijuca: documentos revelam que
funcionários mortos alertaram sobre riscos em loja no subsolo
Seis dias antes do incêndio
que atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio e matou
duas pessoas, deixando outras três feridas, já havia alertas sobre
possíveis riscos de incêndio na loja Bell'art, localizada no subsolo, onde o
fogo começou.
Documentos e e-mails que já estão em posse da polícia
indicam que Anderson Aguiar do Prado, supervisor de segurança do shopping, e a
brigadista Emellyn Silva, que morreram no incêndio, tinham identificado
diversas irregularidades.
A existência do documento foi revelada pelo jornal O Globo
e confirmada pela TV Globo.
No dia 27 de dezembro, às 8h39, Anderson enviou um e-mail
para outro funcionário do shopping:
“Boa noite!
Em vistoria realizada nas casas de máquinas e estoques da
Loja Bell’Art foi verificado que algumas irregularidades (fiação exposta,
empilhamento inadequado, sistema de detecção do mezanino) permanecem. O
descuido em atender as normas de segurança pode resultar em acidentes graves de
incêndio.”
Cerca de uma hora depois, esse mesmo funcionário respondeu:
“Time, boa noite! Após diversas tentativas de contato,
inclusive com notificações formalmente entregues, a situação da Bell’Art
permanece crítica, conforme evidenciado no anexo encaminhado.”
No dia 29 de dezembro, os riscos foram informados novamente
à loja:
"Por gentileza, peço apoio de vocês quanto a devida
tratativa e solução imediata vide o risco."
Na terça-feira, a polícia iniciou uma perícia
no local, que não pôde ser concluída: a temperatura no interior da
loja atingida ainda
estava em cerca de 70 graus.
Risco de incêndio potencializado, apontou documento
Um relatório detalhado, feito por Emellyn e Anderson
reportava uma série de riscos para um incêndio a partir do estabelecimento:
“As casas de máquinas inspecionadas estão servindo como
estoques e os locais de armazenamento de produtos estão abarrotados de mercadorias.
Essas ações potencializam os riscos de incêndio, uma vez que todos os
detectores do piso superior estão inoperantes e os materiais estocados, além de
desorganizados, estão acima dos chuveiros automáticos (Spk)". O documento
cita que a loja não têm chuveiros automáticos e as sinalizações estavam
obstruídas.
Outro trecho aponta problemas graves no estoque:
“Espaço sendo utilizado como estoque de travesseiros e com
fiações presas com fita isolante no MDF (material que, geralmente, leva resina
e outros componentes químicos em sua estrutura), detector de fumaça desmontado
e extensão de três tomadas.”
Os documentos também registram que as luminárias de
emergência, cruciais para casos de evacuação, estavam soltas, e que
“a área em que ficam os diques e as bombas de sucção tinha material
combustível, como madeiras e plástico”
Problemas identificados em dezembro
Uma vistoria feita em dezembro de 2024 no Shopping Tijuca
apontou irregularidades na prevenção a incêndios da Bell'art. Os técnicos do
shopping apontaram problemas como:
- Pendência
elétrica
- Ausência
de detectores no mezanino, que era utilizada como depósito
- Caixas
empilhadas muito próximas aos sprinnklers, aqueles equipamentos contra
incêndio
O prazo dado para a resolução dos problemas da loja foi de
três dias.
Subsolo e 17 lojas do térreo interditadas
Na segunda-feira (5), a Defesa Civil Municipal interditou
totalmente o subsolo e parte do térreo do Shopping Tijuca após
vistoria técnica. A liberação para a inspeção ocorreu depois da conclusão de
uma etapa do trabalho de rescaldo do Corpo de Bombeiros. Segundo o
órgão, não há risco de desabamento do prédio.
De acordo com a Defesa Civil, foi identificado risco
estrutural no mezanino da loja atingida pelo incêndio, além de perigo de queda
de revestimentos internos e desplacamento de partes do teto e do piso.
“O subsolo do shopping foi totalmente interditado devido à
falta de condições para a permanência no local. Já no térreo, 17 lojas da
lateral esquerda, localizadas entre a entrada principal na Avenida Maracanã e a
Tok Stok, foram interditadas após o calor do fogo deformar o piso”, informou o
órgão.
O incêndio começou em uma loja no subsolo. Funcionários relataram cheiro forte e fumaça por volta das 18h30, e clientes foram retirados do prédio.
O que dizem os citados
Nota do Shopping Tijuca:
"O Shopping está em estreita colaboração com todas as
autoridades, colocando-se à disposição para contribuir com as investigações e
fornecer toda a documentação e informações necessárias à apuração das causas do
incêndio.
O relatório em questão foi elaborado no dia 27 de dezembro,
quando a Bell’Art tomou ciência das orientações, e uma segunda notificação foi
enviada aos proprietários dois dias depois. As correções apontadas eram de
natureza operacional e passíveis de rápida implementação pelo lojista. Não cabe
ao Shopping antecipar conclusões sobre as causas do incêndio ou sobre sua propagação,
razão pela qual esse e outros documentos e informações relevantes estão sendo
integralmente compartilhados com as autoridades responsáveis pela investigação.
O RJ2 não obteve retorno da Bell'Art. A Polícia Civil
determinou a interdição da loja e de parte do subsolo independentemente da
lbieração da Defesa Civil, com o objetivo de preservar vestígios importantes
para a investigação.
Por RJ2


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