Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, diz que não está em negociações com os EUA após ameaças de Trump. EFE/EPA/SERGEY BOBYLEV / SPUTNIK / KREMLIN / POOL E DOUG MILLS / POOL /AFP
Resposta cubana veio após, sem especificar, o presidente
norte-americano ter sugerido que a ilha caribenha ‘feche um acordo, antes que
seja tarde demais’
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel,
afirmou nesta segunda-feira (12) que seu governo não está em negociações com
os Estados Unidos,
um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar
a ilha caribenha em resposta ao ataque dos EUA à Venezuela.
Díaz-Canel publicou uma série de declarações breves nas
redes sociais depois que Trump sugeriu que Cuba “feche um acordo, antes que
seja tarde demais”. O presidente americano não especificou que tipo de acordo
estaria propondo.
Segundo Díaz-Canel, para que “as relações entre os EUA e
Cuba progridam, elas devem ser baseadas no direito internacional, e não em
hostilidade, ameaças e coerção econômica”.
“Sempre estivemos dispostos a manter um diálogo sério e
responsável com os diversos governos dos EUA, incluindo o atual, com base na
igualdade soberana, no respeito mútuo, nos princípios do Direito Internacional
e no benefício mútuo, sem interferência em assuntos internos e com pleno
respeito à nossa independência”, acrescentou.
As declarações do presidente cubano foram republicadas pelo
ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez.
No domingo (11), Trump escreveu que Cuba não viveria mais do
petróleo e do dinheiro da Venezuela, país que os EUA atacaram em 3 de janeiro
em uma operação surpresa que matou 32 oficiais cubanos e levou à prisão do
ditador Nicolás Maduro.
Antes do ataque americano, Cuba recebia cerca de 35 mil
barris de petróleo por dia da Venezuela, além de aproximadamente 5,5 mil barris
diários do México e
cerca de 7,5 mil da Rússia,
segundo Jorge Piñón, do Instituto de Energia da Universidade do Texas em
Austin, que monitora os carregamentos.
Mesmo com os envios de petróleo venezuelano, apagões
generalizados persistem em Cuba devido à escassez de combustível e à
precariedade da rede elétrica. Especialistas temem que a falta de petróleo
agrave ainda mais as múltiplas crises enfrentadas pela ilha.
A situação entre os EUA e Cuba é “muito triste e
preocupante”, disse Andy S. Gómez, reitor aposentado da Escola de Estudos
Internacionais e pesquisador sênior em Estudos Cubanos na Universidade de
Miami.
Segundo ele, os comentários de Díaz-Canel representam “uma
tentativa de ganhar um pouco de tempo para que o círculo interno decida quais
medidas tomará”. Gómez afirmou que não imagina Cuba buscando contato com
autoridades americanas neste momento. “Eles tiveram todas as oportunidades
quando o presidente [Barack] Obama abriu as relações diplomáticas com os EUA, e
mesmo assim não ofereceram nem um café cubano”, disse. “É claro que Cuba vive
tempos desesperadores.”
Michael Galant, pesquisador sênior e associado de extensão
do Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington, D.C., afirmou
acreditar que Cuba possa estar disposta a negociar. “Cuba tem demonstrado
interesse em encontrar maneiras de aliviar as sanções”, disse. “Não é que Cuba
não esteja cooperando.”
Galant avaliou que os temas de discussão poderiam incluir
migração e segurança, acrescentando que Trump não parece ter
pressa. “Trump espera agravar a crise econômica na ilha, e não há grandes
custos para Trump em esperar que isso se resolva”, afirmou. “Não acho provável
que haja qualquer ação drástica nos próximos dias, porque não há pressa para se
sentar à mesa de negociações.”
O presidente cubano reiterou nas redes sociais que “não há
negociações com o governo dos EUA, exceto por contatos técnicos na área de
migração”.
O governo comunista da ilha afirmou que as sanções impostas
pelos EUA custaram ao país mais de US$ 7,5 bilhões entre março de 2024 e
fevereiro de 2025.
JP

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