Senador afirma que o presidente
erra ao criminalizar policiais sem dados e defende análise técnica sobre casos
assim
O senador Alessandro Vieira
(MDB-SE), relator da CPI
do Crime Organizado, reagiu às
declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a operação
policial que resultou em 121 mortes nos complexos da Penha e do
Alemão, no Rio de Janeiro.
“Acho que foi muito infeliz o
presidente da República ao criminalizar a ação dos policiais sem nenhuma
informação que dê base para isso. Até o momento não tem nenhum dado que aponte
para uma ilegalidade”, considerou.
Segundo Vieira, o cenário de
confronto nas comunidades é de alto risco e exige preparo. Ele afirmou que os
agentes envolvidos sabiam das consequências da ação.
O senador reforçou ainda a
necessidade de o governo fluminense apresentar os próximos passos da política
de segurança, destacando que o confronto em si não pode ser o único objetivo
das operações.
Vieira lembrou que, dias antes da
ofensiva, uma idosa morreu em tiroteios entre o Comando Vermelho (CV) e o
Terceiro Comando Puro (TCP), o que demonstra a gravidade da situação na região.
Para ele, o debate público deve
evitar extremos. “Criminalizar antecipadamente a polícia é tão equivocado
quanto a sina de achar que qualquer um na comunidade é criminoso”, afirmou em
entrevista à CNN.
Petista também criticou Lula
As declarações de Vieira surgem
em meio a uma sequência de críticas ao discurso de Lula sobre o tráfico de
drogas. O presidente da CPI, Fabiano
Contarato (PT-ES), também considerou infeliz a fala do chefe do
Executivo ao dizer que “o traficante é uma vítima dos usuários”.
Contarato, delegado de carreira,
defendeu endurecimento das penas e ressaltou que o traficante representa “o que
há de mais pernicioso dentro da sociedade brasileira”, apontou durante
entrevista ao jornal O Globo.
O senador disse que a comissão
pretende seguir o “fluxo do dinheiro” das facções e das milícias, além de
investigar a conduta de agentes públicos ligados à criminalidade.
O parlamentar reconheceu que a
esquerda precisa encarar o tema da segurança com mais responsabilidade.
“Passou da hora de entender que
segurança pública tem que ser tratada com responsabilidade. E essa
responsabilidade precisa deixar de ser vista sob um olhar romantizado”,
afirmou.
R7

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