Órgão aponta falta de consulta às
comunidades tradicionais e questiona licenciamento ambiental; Prefeitura diz
que projeto é responsável e sem impacto à vegetação nativa.
O Ministério Público Federal
(MPF) recomendou a suspensão imediata das obras do Mirante do Pai Vitório,
em Armação dos Búzios, na
Região dos Lagos do Rio. O documento foi expedido na sexta-feira (31) e
assinado pelo procurador da República Leandro Mitidieri.
De acordo com o MPF, a Prefeitura
iniciou as intervenções sem consultar as comunidades tradicionais afetadas,
como a comunidade quilombola da Rasa e as marisqueiras que utilizam a região há
gerações.
O órgão também apontou que não
houve deliberação dos conselhos municipais de Meio Ambiente nem dos conselhos
gestores da Área de Proteção Ambiental (APA) do Mangue de Pedras e do Parque
Estadual da Costa do Sol.
A recomendação pede que o
município interrompa as obras imediatamente, apresente informações sobre a
regularidade do licenciamento ambiental e realize consultas públicas com as
comunidades tradicionais antes de avançar com o projeto.
Segundo o procurador Leandro
Mitidieri, o MPF recebeu diversas representações sobre o caso e identificou que
os trabalhos começaram antes da resposta aos questionamentos feitos ao órgão.
Ele destacou que a falta de consulta às comunidades tradicionais, como a quilombola
da Rasa e as marisqueiras, fere normas internacionais.
“Qualquer intervenção que afete,
direta ou indiretamente, uma comunidade tradicional deve haver uma consulta
prévia, livre e informada”, afirmou o procurador, citando a Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), tratada como norma de direitos
humanos assinada e ratificada pelo Brasil.
Enquanto isso, moradores e grupos
ambientais marcaram uma manifestação na entrada da trilha do Mirante do Pai
Vitório, em protesto contra a continuidade das obras.
Em nota, a Prefeitura de Búzios
informou que recebeu a determinação de embargo e que está analisando as
decisões do MPF. O município afirmou que o projeto é desenvolvido de forma
cautelosa e responsável, sem corte de árvores nem supressão de vegetação
nativa.
A administração também disse que
a estrutura do primeiro mirante foi reaproveitada de uma obra inacabada e que
os demais mirantes previstos são feitos em madeira, respeitando o relevo
natural.
Segundo a Prefeitura, o projeto
tem a ciência do Ministério Público Estadual por meio de um Termo de
Ajustamento de Conduta (TAC), que define parâmetros legais e ambientais para a
execução.
Por g1 — Búzios

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