11/13/2025

Motta volta a adiar votação do PL Antifacção após Derrite divulgar 4º relatório

Derrite pediu a Motta para adiar votação do projeto. 
Marina Ramos/Câmara dos Deputados - 11.11.2025

Análise do projeto no plenário da Câmara dos Deputados deve ser na próxima terça-feira (18)

O presidente da Câmara dos DeputadosHugo Motta (Republicanos-PB), decidiu adiar para a próxima terça-feira (18) a votação do PL (projeto de lei) Antifacção enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional.

A proposta seria analisada nesta quarta-feira (12), mas Motta remarcou a votação após pedido do relator da matéria, Guilherme Derrite (PP-SP), que nesta noite apresentou o quarto parecer dele sobre o projeto.

Derrite pediu mais tempo ao presidente da Câmara para fazer ajustes finais no parecer dele.

“O meu substitutivo nunca foi uma linha de chegada e sim um ponto de partida. E atendendo à demanda de vários colegas parlamentares, líderes, nós vamos, eu peço a Vossa Excelência encarecidamente que a gente paute na terça-feira da semana que vem, para que esses ajustes finais, essas correções redacionais possam ser ajustadas, para que a gente não corra o risco de perder essa grande oportunidade”, disse o relator durante sessão no plenário.

Motta acatou o pedido e destacou que a Câmara não vai discutir a proposta de maneira “açodada”.

“Ninguém tem interesse aqui de conduzir a pauta da segurança pública de maneira açodada. Nós não queremos correr com essa pauta. Ninguém está aqui para construir isso de uma forma que não seja discutindo à luz do dia tudo que está no relatório do deputado Derrite”, destacou o presidente da Câmara.

Segundo Motta, o PL Antifacção será o único item da pauta do plenário da Câmara na próxima terça-feira.

“Teremos pauta única na próxima semana, na próxima terça-feira, para que a Casa possa fazer uma ampla discussão e a votação dessa matéria que é tão importante para o nosso país.”

Quarto relatório de Derrite

Derrite foi anunciado como relator do projeto na última sexta-feira (7). Desde então, publicou quatro pareceres diferentes. Os relatórios do deputado têm desagradado tanto o governo quanto a oposição.

No relatório mais recente, Derrite atendeu a alguns pedidos do governo. Horas antes da publicação do quarto parecer, o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou uma nota reclamando que o deputado insistia em “debilitar financeiramente a Polícia Federal e as demais forças de segurança da União mediante o desvio de recursos a elas destinados para fundos estaduais”.

Para tentar corrigir esse aspecto, Derrite incluiu no quarto relatório dele a previsão de que bens apreendidos em operações contra o crime organizado serão destinados ao Funapol (Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal) quando o delito estiver sendo investigado pela Polícia Federal.

Segundo o texto do relator, em caso de atuação conjunta entre a Polícia Federal e as forças de segurança pública estaduais ou distritais, os valores serão rateados em partes iguais entre o Funapol e os Fundos de Segurança Pública dos respectivos estados ou do Distrito Federal.

Derrite propõe nova lei contra o crime organizado, mas governo é contra

Por outro lado, o parecer mais recente de Derrite manteve aspectos que ainda incomodam o governo.

O deputado propõe criar o “Marco Legal do Combate ao Crime Organizado Ultraviolento no Brasil”, uma lei autônoma para definir e punir as condutas praticadas por organizações criminosas, paramilitares ou milícias privadas que, mediante violência ou grave ameaça, atentem contra a paz pública, a segurança da coletividade ou o funcionamento de instituições públicas ou privadas.

O governo é contra a criação de uma nova lei por entender que isso pode atrapalhar o trabalho da Justiça contra o crime organizado.

Ao insistir na criação de uma ‘lei autônoma’ que modifica temas já tratados na ‘Lei das Organizações Criminosas’ e em outros textos normativos, o último relatório tem o potencial de instaurar um verdadeiro caos jurídico ao propor inovações para alterar, de forma assistemática e pouco técnica, institutos de longa data testados pela jurisprudência dos tribunais. Esse tumulto normativo poderá beneficiar criminosos investigados em procedimentos já instaurados contra eles

(Nota do Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre o relatório de Derrite ao PL Antifacção)

Facção criminosa

No último relatório, Derrite incluiu a definição do que caracteriza uma facção criminosa, mas não propôs a criação de um crime com esse nome, como previa o texto original do governo.

Segundo o parecer do deputado, facção criminosa é “toda organização criminosa ultraviolenta, milícia privada ou grupo paramilitar, que visa ao controle de territórios ou de atividades econômicas, mediante o uso de violência, coação, ameaça ou outro meio intimidatório”.

Em vez de tipificar essa conduta como crime autônomo, Derrite propôs a criação do “Domínio Social Estruturado”, que descreve situações em que grupos usam violência para impor controle sobre comunidades.

A pena será de 20 a 40 anos de reclusão, podendo ultrapassar 60 anos em caso de agravantes. Os crimes serão considerados hediondos, sem possibilidade de anistia, graça, fiança ou livramento condicional.

R7

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