10/03/2025

Relatório do Coaf Revela Repasse de R$ 5 Milhões do ‘Careca do INSS’ a Publicitária Ligada a Campanhas do PT

 

Edilson Rodrigues/Agência Senado Fonte: Agência Senado

O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, repassou R$ 5 milhões à publicitária Danielle Miranda Fonteles entre novembro de 2023 e março de 2025, segundo Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPI do INSS. As informações foram reveladas pela revista Veja. Danielle já prestou serviços para campanhas eleitorais do PT, incluindo a eleição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2010.

De acordo com as defesas de Antunes e Fonteles, os valores correspondem a uma negociação de imóvel em Trancoso (BA), que acabou não se concretizando. Danielle afirmou que o contrato previa o pagamento em 13 parcelas de R$ 1 milhão, mas a quitação total não foi realizada devido ao bloqueio das contas de Antunes durante investigação de fraudes previdenciárias. O distrato prevê a devolução dos valores pagos quando a casa for vendida.

Em sessão da CPI nesta quinta-feira (2), o senador Sergio Moro (União-PR) anunciou que apresentará requerimento para quebra de sigilo bancário e fiscal de Danielle Fonteles, e defenderá posteriormente sua convocação.

O relatório do Coaf destaca que a publicitária foi sócia da Pepper Comunicação Interativa, investigada na Operação Acrônimo, que apurou esquema de lavagem de dinheiro para campanhas eleitorais. A empresa foi fechada em julho de 2023. Segundo o Coaf, uma análise bancária apontou que Antunes possui histórico de envolvimento em fraudes previdenciárias, sendo alvo de investigação por irregularidades no INSS, o que gerou alerta sobre as transações.

Danielle Miranda esclareceu que todos os valores recebidos estão declarados à Receita Federal e que os impostos foram pagos. Ela ainda afirmou que não mantém relações comerciais com o PT desde 2015, e ressaltou que o repasse não possui vínculo partidário atual.

Histórico da Pepper
A Pepper Comunicação já havia sido alvo da Operação Acrônimo, que investigou repasses de caixa dois a campanhas políticas, incluindo a campanha de Fernando Pimentel ao Senado em 2010. A Polícia Federal concluiu que a agência captou ilegalmente R$ 1,5 milhão via caixa dois para essa campanha, valor que não foi registrado na prestação de contas. Danielle Fonteles chegou a negociar uma delação premiada, relatando que pagou propina para obter contratos de publicidade em ministérios.

Gazeta Brasil

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