O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira (8) uma proposta que proíbe o uso de termos tradicionalmente associados à carne — como “hambúrguer” e “bife” — para rotular e comercializar alimentos de origem vegetal. A medida, considerada uma vitória para produtores rurais, ainda precisará ser negociada com os 27 Estados-membros do bloco antes de virar lei.
A proposta recebeu 355 votos
favoráveis e 247 contrários durante sessão plenária em Estrasburgo. O texto foi
impulsionado por pressões de setores agropecuários que consideram os produtos
vegetais que imitam carnes uma ameaça a um ramo já em dificuldades econômicas.
“Vamos chamar as coisas pelos seus nomes”,
declarou à AFP a eurodeputada francesa Celine Imart, autora da emenda. “Todos
têm o direito de consumir proteínas alternativas, sejam elas de origem vegetal,
de laboratório, de tofu ou até de farinha de insetos. Mas chamá-las de ‘carne’
engana o consumidor”, defendeu.
Pela proposta, rótulos como
“salsicha” e “hambúrguer” seriam reservados exclusivamente para produtos que
contenham carne animal. A iniciativa, no entanto, foi criticada por partidos
verdes e de esquerda, além de representantes da indústria alimentícia na
Alemanha — o maior mercado europeu de alimentos alternativos de origem vegetal.
Durante o debate em Estrasburgo,
a eurodeputada ecologista Anna Strolenberg acusou o “lobby da carne” de tentar
enfraquecer a concorrência. “Se querem ajudar os agricultores, deem contratos
mais sólidos, melhores rendimentos e apoio à inovação. Parem de falar sobre
hambúrgueres e foquem no que realmente importa”, disse.
Mesmo dentro do grupo de
centro-direita, houve divisões. O líder do PPE, partido de Imart, afirmou que o
tema “não deveria ser uma prioridade”. Apesar das divergências, a proposta
contou com forte apoio do setor pecuário e foi aprovada com maioria
confortável.
Impactos econômicos e reações na
Alemanha e França
Esta não é a primeira tentativa
de restringir o uso de termos ligados à carne. Em 2020, uma proposta semelhante
foi rejeitada. Mas o avanço dos partidos de direita nas eleições europeias de
2024 — com laços próximos ao agronegócio — mudou o cenário político.
Imart argumenta que a medida está
alinhada à legislação europeia que já proíbe o uso de termos como “leite”,
“iogurte” e “queijo” em produtos que não sejam de origem animal. “É justo fazer
o mesmo com a carne”, afirmou.
Nicolas Schweitzer, CEO da marca
francesa La Vie, que fornece “bacon vegetal” para o Burger King, defendeu que o
sistema atual de rotulagem é claro para o consumidor. “Os produtos à base de
plantas ajudam a enfrentar questões de bem-estar animal, pecuária intensiva e
mudanças climáticas. Isso deveria ser incentivado, não dificultado”, afirmou à
AFP.
A proposta gerou preocupação
entre grandes redes de supermercados na Alemanha, como Lidl e Aldi, que
alertaram que a proibição de “termos familiares” pode confundir os
consumidores. Em comunicado, as empresas afirmaram que, como o maior mercado
europeu de produtos vegetais, a Alemanha seria “especialmente prejudicada
economicamente”.
O debate também repercute na
França, que chegou a aprovar uma proibição semelhante em 2024 para acalmar
produtores rurais, mas a medida foi derrubada em janeiro do ano seguinte após
decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia.
Gazeta Brasil
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