Estabelecimento já havia sido
interditado há mais de um ano por descumprimento de normas sanitárias
Rio - Três idosos foram
encontrados amarrados e com feridas em um asilo clandestino, nesta quarta-feira
(22), no Catumbi, Região Central. Apesar do estabelecimento ter sido
interditado há mais de um ano, continuava abrigando 21 pessoas em condições
insalubres. As 16 mulheres e os cinco homens foram resgatados durante
a ação.
Localizado na Rua Eliseu
Visconti, o Lar de Sarépta tem um histórico de descumprimento de normas
sanitárias. No momento da ação, alguns dos acolhidos se queixaram de dor e
mal-estar. A inspeção faz parte do Dia D da "Operação Virtude",
da Polícia Civil, e da ação "Direito da Pessoa Idosa", da Secretaria
Municipal do Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida (SEMESQV), e do
Instituto Municipal de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio).
Na ação, as equipes
encontraram ambientes sujos, paredes descascadas, materiais de higiene
expostos e alimentos mal armazenados, além de falta de proteínas para alimentar
os acolhidos. Os responsáveis serão investigados por exercício irregular de atividade
e exposição ao risco à saúde de pessoas idosas.
Além disso, o estabelecimento
tinha licença sanitária para associação beneficente, não para instituição de
longa permanência. Apenas três pessoas atuavam como cuidadores. Também não
havia prescrições médicas atualizadas e plano de trabalho individual para
atender as necessidades dos acolhidos.
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"Eles não conseguiram me
comprovar a documentação da contenção, que, segundo ela, estava prescrita
[pelos médicos]. Mas não existe contenção mecânica prescrita, é um direito
constitucional de ir e vir. A gente vai hoje remover todos os idosos por conta
das inúmeras irregularidades encontradas. Hoje a gente fecha o Lar de
Sarépta", explicou a gerente-técnica de Instituições de Longa Permanência
da Ivisa, Maria Cláudia Castelo.
Os familiares dos idosos
resgatados serão contatados e os que não tiveram referência familiar vão
ser levados para a Central de Recepção de Idosos Carlos Portela, na Ilha
do Governador, Zona Norte. Por meio do sistema de regulação, eles serão
encaminhados para o acolhimento permanente. Segundo o secretário da
SEMESQV, Felipe Michel, a ação aconteceu após uma denúncia de maus-tratos ao
Rio Cuidadoso, feita pelo número (21) 97533-8831.
"Nós encontramos uma
situação precária, 21 pessoas idosas, três pessoas amarradas, violentadas. Isso
é inadmissível. Tolerância zero para qualquer asilo clandestino ou instituição
irregular. Você que coloca seu pai, sua mãe, sua avó, seu avô, seu ente querido
em uma instituição, verifique. Se não tiver identificação na porta, já tem algo
errado. Aos administradores, procurem se regularizar e ter o Selo Dignidade. Se
não tiver, tem algo errado aí", afirmou o secretário.
A coordenadora-geral do Lar de
Sarépta, identificada apenas como Valdimelia, alegou que a reclamação aos
órgãos públicos foi feita por uma pessoa que não conhece o regimento da casa e
dos idosos com quadros de saúde complexos, como Alzheimer e mal de
Parkinson.
"Essa denúncia qualquer
pessoa pode fazer desde que ela não conheça o regimento da casa. Idosos que têm
complexidades... a pessoa vai passar aqui na porta e vai ver o idoso gritar.
Fomos surpreendidos com essa denúncia e com a polícia. Eu penso que não era
para tanto, porque ninguém matou ninguém. Os idosos não estão maltratados,
estão sendo atendidos por profissionais da casa. Nosso médico está aqui,
enfermeira, assistente social. Nós não somos clandestinos, temos alvará, licença
sanitária. Acho que a coisa não chegaria para tanto, isso também é um
constrangimento para os nossos idosos", argumentou.
Ações resgataram mais de 100
idosos
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Nas ações realizadas pela Polícia
Civil e a Secretaria Municipal de Envelhecimento Saudável em 2025, 111 idosos
em situação de vulnerabilidade foram resgatados em 18 estabelecimentos
irregulares, que acabaram interditados. Também foram registrados cinco mortes, sendo o caso mais recente em um asilo
em Brás de Pina, Zona Norte, em 23 de setembro, quando a responsável pelo local acabou presa em flagrante.
Segundo um levantamento da SEMESQV, o canal Rio Cuidadoso recebe em média 10
denúncias por mês relacionadas a maus-tratos, negligência ou funcionamento
irregular de instituições. Entre as violações mais frequentes estão
agressões físicas, abusos psicológicos, negligência, violência patrimonial e
sexual. Isso acontece em asilos clandestinos e em ambientes
familiares.
Para fortalecer os locais que
atuam de forma regular, a pasta criou o Selo Dignidade. Em parceria com
o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (Comdepi), o
certificado reconhece Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs)
comprometidas com a segurança, transparência e dignidade da pessoa
idosa. Em setembro, 64 selos foram entregues. Atualmente, o Rio conta
com cerca de 250 ILPIs, sendo 120 já cadastradas e 40 com pedidos em andamento.
O Dia/Colaborou Reginaldo Pimenta

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